Entrevista Mais Ribatejo – “Rede Eunice Ageas começa a marcar o panorama teatral do país”

Em Ribatejo Cool

O Centro Cultural do Cartaxo é um dos quatro teatros municipais que integram a Rede Eunice Ageas, projeto de circulação nacional de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro Nacional D. Maria II que, desde 2019, conta com o apoio do Grupo Ageas Portugal. A propósito da estreia do espetáculo Um outro fim para a menina Júlia, encenada por Tiago Rodrigues a partir do clássico de August Strindberg, o Mais Ribatejo entrevistou Teresa Thobe, do Grupo Ageas Portugal, e Cláudia Belchior, do D. Maria II, sobre o projeto e a sua importância para a difusão cultural a nível nacional.

Entrevistadas:

Cláudia Belchior, Presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional D. Maria II

Teresa Thöbe, Responsável de Comunicação Externa e Marca do Grupo Ageas Portugal

  1. Qual o objetivo da Rede Eunice Ageas?

Cláudia Belchior: O Teatro Nacional D. Maria II criou a Rede Eunice em 2016, com o objetivo de valorizar o trabalho na área cultural dos municípios portugueses nos quais se deteta um potencial benefício no reforço da oferta teatral de qualidade. A partir da temporada 2019-2020, a Rede conta com o apoio do Grupo Ageas Portugal, passando a denominar-se Rede Eunice Ageas, reforçando-se os propósitos desta iniciativa e todos os benefícios para os teatros parceiros.

A Rede Eunice Ageas é um pilar da vocação nacional deste Teatro, já que através dela garantimos uma presença frequente no território nacional das produções e coproduções do D. Maria II, que ficam assim disponíveis para públicos que têm o direito a não ter de se deslocar ao Rossio para assistir ao teatro que aqui fazemos.

A associação do nome “Eunice” a esta rede, para além de ser uma justíssima homenagem a Eunice Muñoz, convoca o seu poder simbólico para um projeto que ambiciona honrar o compromisso de levar teatro a todos. A atriz Eunice Muñoz, cujo percurso se inicia na infância numa pequena companhia itinerante dirigida pelos seus pais e que subirá mais tarde aos maiores palcos do país, é sinal da capacidade que o teatro tem de chegar a todos; é um nome que toca os públicos mais eruditos tanto quanto o faz junto das audiências mais populares, em qualquer ponto da geografia portuguesa, das grandes urbes às pequenas povoações rurais.

  1. Qual foi o critério para a escolha dos teatros municipais que fazem parte da rede? No distrito de Santarém, temos o Cartaxo.

Cláudia Belchior: Podem candidatar-se à Rede Eunice Ageas Municípios, Empresas Municipais ou outras entidades gestoras de teatros municipais.

Em traços largos, os teatros candidatos deverão ter uma direção artística ou de programação, ativamente responsável pela definição de uma linha de programação do teatro, e ter mantido funcionamento regular durante pelo menos dois anos. Os equipamentos devem ter ainda uma equipa técnica e possuir um parque de equipamentos cénicos que garanta as apresentações. Para além destes critérios, a escolha recai em teatros que se situem em locais onde haja menos oferta cultural, mas cujas linhas de programação nos pareçam dinâmicas e interessantes.

Julgo que a Rede Eunice Ageas começa a marcar o panorama teatral do país, o que se nota pelo número de candidaturas que recebemos para os vários momentos de seleção. Ao longo de três momentos de seleção que já realizámos desde 2016, recebemos um total de 31 candidaturas por parte de municípios, 19 das quais no último concurso.

  1. Pensam alargar a rede a outras localidades?

Cláudia Belchior: Queremos que a Rede Eunice Ageas cresça e se torne cada vez mais relevante para as populações das diversas geografias a que chegamos, pelo que, a partir desta temporada 2019-2020 passámos a contar com o apoio do Grupo Ageas Portugal, o que nos permitirá voar mais alto e integrar, num futuro próximo, pelo menos mais um município na Rede.

Queremos continuar o trabalho de aproximação a públicos de todo o território nacional, nomeadamente através da Rede Eunice Ageas, com apresentações de espetáculos em 4 municípios portugueses, e passar a integrar também a realização de oficinas de formação técnicas e artística nessas comunidades.

  1. Como está a correr o projeto? Os públicos estão a aderir?

Cláudia Belchior: Através da Rede Eunice Ageas, apresentámos já espetáculos para cerca de 7.500 pessoas, dando assim maior relevo à dimensão Nacional deste teatro. A taxa de ocupação dos espetáculos ronda os 80%. Esta tem sido uma experiência de grande importância para o Teatro Nacional D. Maria II. Se, por um lado, cumprimos a nossa missão, permitindo que mais contribuintes tenham acesso aos espetáculos que, em parte, os seus impostos suportam, por outro, tornámo-nos melhores com a exigência e entrega que os teatros parceiros e os seus públicos nos demandam.

  1. O primeiro espetáculo foi no sábado no Cartaxo – correu conforme as expectativas do projeto?

Teresa Thöbe: Podemos dizer que este espetáculo superou as nossas expectativas, não só pela excelência da peça Um outro fim para a menina Júlia, criação do Diretor Artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, e dos atores, como pelo público vibrante que encheu o Centro Cultural do Cartaxo. E uma sala cheia de pessoas apaixonadas por esta forma de arte é o melhor arranque possível para este projeto.

Cláudia Belchior: A apresentação no Cartaxo teve uma casa praticamente cheia e o público foi muito entusiasta e carinhoso. Fomos calorosamente recebidos e deixo aqui um agradecimento especial a toda a equipa do Centro Cultural do Cartaxo, ao Senhor Presidente da Câmara, Dr. Pedro Magalhães Ribeiro, e à Senhora Vereadora da Cultura, Dra. Elvira Tristão.

  1. A Rede Eunice Ageas foi lançada em 2016. Que balanço é possível fazer do trabalho realizado até agora?

Cláudia Belchior: Através da Rede Eunice Ageas, e desde 2016, apresentámos já 36 sessões de espetáculos em 4 teatros municipais. Na temporada 2019-2020, os municípios do Funchal, Sardoal e Vila Real deixaram a Rede (depois de cumprirem o período de 3 anos que o projeto pressupõe), mantendo-se na mesma o município de Portimão (que integra a Rede desde 2017) e entrando os municípios de Bragança, Cartaxo e Portalegre, que vão permanecer até 2022.

Esta tem sido uma experiência de grande importância para o Teatro Nacional D. Maria II. Trata-se de uma ferramenta eficaz para a sedimentação de hábitos culturais. A grande aceitação por parte dos públicos e o entusiasmo dos teatros parceiros demonstra que as práticas artísticas contribuem para o enriquecimento e valorização das comunidades, reconhecendo o seu direito fundamental à fruição cultural e à promoção da igualdade de acesso como elementos centrais para a melhoria das suas condições de vida.

  1. O que levou o Grupo Ageas Portugal a apoiar este projeto?

Teresa Thöbe: O Grupo Ageas tem apostado na Cultura e nas Artes como eixo estratégico de posicionamento de marca, aliando objetivos de notoriedade a um forte contributo para o desenvolvimento da sociedade.

Ao associar-nos ao Teatro Nacional D. Maria II acreditamos que estamos a contribuir para o fortalecimento do serviço público de cultura prestado pelo teatro. Este envolvimento com o mundo das artes, e que mais recentemente se materializou nesta parceria, é o encaixe perfeito com a nossa área de atuação: o mundo dos seguros – que é na prática um universo de proteção e de prevenção dos nossos Clientes e parceiros, é também um mundo de emoções, de momentos chave da vida das pessoas onde temos que fazer a diferença e proporcionar uma experiencia emocional, significativa e de excelência.

E o mundo da cultura e das artes é mesmo isso: experiências gratificantes, emoções fortes, momentos felizes, de criação e expressão. Por isso o setor segurador e o da cultura estão intimamente ligados e para nós funcionam de forma complementar. Estamos onde os nossos Clientes estão e onde precisam de nós.

O caminho que estamos a fazer com os nossos parceiros, tornando a cultura e a arte acessíveis a todos, é fundamental para a democratização e descentralização da oferta cultural. Este é um dos aspetos mais relevantes e onde as empresas e as marcas podem fazer a diferença enquanto promotores e facilitadores no acesso cultural, apoiando a criação de oferta e contribuindo desta forma para o aumento da procura.

Este projeto em concreto de difusão de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo D. Maria II é um projeto desenvolvido em parceria com teatros municipais, com o propósito de reforçar a oferta teatral de qualidade em locais onde esta é ocasional ou irregular. Estamos com uma grande expectativa em relação a esta temporada.

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