Falha nas famílias nucleares

Em Opinião

Família Nuclear é o conceito utilizado para definir uma “família tradicional”, composta por um pai e mãe casados, com as suas crianças biológicas, a viver sob o mesmo teto. Como tal, no século XIX, no auge do capitalismo industrial, a consolidação da família nuclear encontrou o seu clímax como modelo familiar dominante, sobretudo devido à difusão da classe média nas sociedades europeias e das facilidades domésticas advindas da industrialização.

Todas estas mudanças tiveram influência nos modelos familiares vigentes, ao lado do crescimento do modelo nuclear, demonstrando o aparecimento das famílias proletárias.

No período de 1950 a 1965 a base de uma sociedade estável poderia ser construída em torno de famílias nucleares. Ora, a sociedade estava a trabalhar toda em conjunto para suportar uma instituição. Contudo, essas condições não duraram, a base sustentada para a família nuclear começou a cair, tornando-se estas cada vez mais stressadas.

A partir de meados do século 70, o salário dos jovens baixou consideravelmente, sendo colocada uma pressão cada vez maior em torno das famílias da classe operária.

Com todas estas mudanças económicas e sociais causadas pelo crescimento do capitalismo industrial, surgem mudanças de valores, de hábitos e comportamentos provindos da industrialização crescente, como por exemplo, a liberdade individual e o consumismo materialista. As pessoas começaram a valorizar mais a autonomia e a privacidade. Surge, do mesmo modo, um movimento feminista crescente que ajudou as mulheres a terem uma maior liberdade para viver e trabalhar da forma desejada.

Nas últimas duas gerações, o espaço físico que separa as famílias nucleares aumentou. Finalmente, (nas duas últimas gerações) as famílias têm vindo a crescer de forma mais desigual. Portugal tem três regimes familiares totalmente diferentes, entre os altamente educados, onde os padrões familiares são tão estáveis quanto nos anos 50; a classe média, com um padrão de vida e de consumo razoável; e os menos faustos, onde a vida familiar é bastante complicada, passando, por vezes, dificuldades. O motivo para esta divisão é simples, as famílias mais ricas têm todas as condições e recursos para terem famílias amplas, ou seja, têm condições para terem babysistters, creches competentes, terapias, programas extra-escola.

Posto isto, constata-se, principalmente nas áreas urbanas, o aparecimento de novos modelos de agregação familiar, o poder repartido entre os progenitores; o aumento do número de famílias chefiadas por mulheres e a diminuição de filhos; surgimento de famílias resultantes da união de pais e mães separados de outros casamentos, que levam consigo os filhos tidos na antiga família para a constituição de uma nova; famílias com duas mães e as famílias com dois pais, sendo estas as famílias arco-íris.

Todos estes novos modelos têm trazido, ao longo dos anos, maior diversidade e combate a determinados tipos de preconceitos, como por exemplo, o racismo, a xenofobia e a homofobia.

É necessário continuar a lutar para uma sociedade mais igualitária, onde todos devem ter os mesmos direitos de oportunidades.

Jéssica Vassalo

Deixar uma resposta

Recentes de Opinião

Para onde vamos?…

Durante uma grande enchente, um homem muito religioso, fanaticamente religioso, não quis…

Ir para Início
%d bloggers like this: