Santarém, um distrito sem cor

Em Opinião

Em Santarém tudo parece chegar cada vez mais devagar.

Temos pressa, pressa em transformar Santarém numa cidade mais inclusiva. Queremos romper com o conservadorismo em que não ser heterossexual continua (ainda) a ter custos pessoais e profissionais severos, segundo o propósito da Marcha LGBTI+ de Santarém (da qual me orgulho de fazer parte).

Lembro-me perfeitamente do dia 1 de agosto de 2019 estava no Jardim da Liberdade, com a minha namorada, na altura, onde fomos abordadas por um grupo de mulheres, onde, passado poucos instantes, começaram a emitir palavras de ordem, homofóbicas: “suas fufas”, “suas paneleiras”, “não veem que estão a fazer mal às crianças?”, “se não saírem daqui nós vamos aí dar-vos”. Ainda com comoção devido aos insultos que não deveríamos ser alvo, ficamos em choque com a atitude de um dos agentes que sugeriu que provocamos a situação pelo simples facto de existirmos, (alegando que deveríamos estar em locais mais recatados) extravasando, assim, as suas competências.

Isso deixou-me particularmente triste e revoltada por não termos tido sequer a compreensão de um guardião da lei, no entanto, acordou-me para a luta pela sensibilização e do tanto que há para fazer. Vejamos, segundo a Lei Orgânica da PSP, no artigo 1.º, número 2, “A PSP tem por missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos da Constituição e da lei.”, contudo, a lei não consegue abarcar tudo, o direito é muito mais que a lei, esta não resolve tudo, existirão sempre argumentos quase que mais fortes que a lei. Por este motivo é necessário criar maioria social, é necessário sairmos à rua e fazermos a diferença! É necessário combater todo este preconceito, é necessário ouvirmos todxs aqueles que são vítimas de qualquer tipo de preconceito, dar-lhes voz.

A verdadeira integração só acontecerá quando o diferente for “normal”, e um dado adquirido, palavras sábias de Paulo Pina da Silva.

Dia 9 de maio iremos marchar porque acreditamos que ser minoria não tem de ser sinónimo de invisibilidade e medo.

Ser lésbica, bi, gay, trans ou pansexual não é errado, pois não tira a liberdade nem mata ninguém, já a homofobia, infelizmente, mata e oprime, todos os dias.

Jéssica Vassalo

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