As birrinhas do PS

Em Opinião

“O PS não precisa, nunca mais, da direita para governar.” Lembram-se de quem, patenteando arrogância disparatada, proferiu estas palavras? Sim, caro leitor, foi Pedro Nuno Santos, o Senhor Ministro das Infra-estruturas e da Habitação, que bastantes afirmam ser a grande esperança do socialismo democrático em Portugal.

Optei por citar o homem do “tou-me marimbando para os nossos credores” – e que maneira de falar, na arena europeia, tão distante do actual e subserviente discurso do governo do Partido Socialista –, porque este indivíduo de cabelo e barba encanecidos personifica, com sublime eficácia, o velho adágio popular: “Pela boca morre o peixe.”

Na altura em que Pedro Nuno Santos encheu os bofes de ar para soltar estas jactantes atoardas, estávamos em pleno processo de formação daquilo que se veio a denominar a “Geringonça”. Temerário, sem noção de que a prudência aconselha ao recato, afiançou que uma realidade conjuntural – que, dada a novidade, se poderia vir a transformar em algo estrutural – seria aquilo que nunca chegou a ser.

Rapidamente, e mesmo durante a anterior legislatura, o PS logo se viu a pedinchar ajuda ao PSD, que não faltou ao apelo por patriotismo e sentido de responsabilidade. Ora, com isto, não estou a asseverar que o Partido Social Democrata é de direita – porquanto não o é –, mas o autor da descerebrada máxima, como todos percebemos, estava a referir-se à integralidade das forças políticas que se situam à, deveras multifacetada, dextra da agremiação de Bad Münstereifel (tentem saber onde nasceu o Partido Socialista).

No entanto, é neste segundo consulado de António Costa que a anulação de tudo o que Pedro Nuno Santos garantiu se está a tornar evidente aos olhos do nosso País. No episódio do IVA da electricidade, fomos acareados com um Executivo a arrodilhar-se aos pés do Chicão, prometendo mundos e fundos, em troca de continuarmos a ser extorquidos, mensalmente, assim que a conta da luz nos bate à porta com um sorriso demente e a perguntar-nos: “Why so serious?”

Agora, temos o PS a fazer uma birra pueril, exigindo que o Partido Social Democrata se envolva na sua messiânica tarefa de nos impor o aeroporto do Montijo. Dito de outro modo, estamos perante uma tentativa de imputar as culpas pela queda desse projecto à turma laranjinha, na qual milito, visto que esta não aceita alterar uma abstrusa lei – dos idos de Sócrates, atente-se! – que permite a um único município vetar uma obra de cariz nacional.

Sejamos claros: foi o PSD que propôs a localização que tanta celeuma vem causando. Contudo, os anos foram passando, e, hoje, estamos cientes de que o Montijo não reúne as condições minimamente desejáveis para albergar uma das infra-estruturas de que mais necessitamos. Todavia, quanto ao lugar em que deverá nascer um novo campo de aviação de tal magnitude, na verdade, o partido sediado na São Caetano à Lapa ainda não manifestou a sua corrente preferência; assegura, porém – e muito bem! –, que não participará em joguinhos de aprovar leis com rosto, ajeitando-as à medida de um cliente cuja identidade aparenta não ser o interesse público.

Inequivocamente, cabe ao grémio da mãozinha rosa, se aspira à criação de um aeroporto numa zona rejeitada por razões técnicas, de segurança e ambientais, conversar e negociar com as autarquias que, neste momento, obstam à implementação de um erro histórico. Neste caso, os Municípios da Moita e do Seixal.

E incumbe ao Partido Socialista, de idêntica guisa, abandonar a vanglória petulante e transmutar-se, com ou sem alquimia, com ou sem pozinhos mágicos, numa associação que conhece o significado do vocábulo modéstia.

Entretanto,Ana Catarina Mendes lá vai carpindo lágrimas de lagartixa e ensaiando o subterfúgio que o Partido Socialista usará para provocar eleições antecipadas…

João Salvador Fernandes

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