Ir contra as tábuas

Em Opinião

Em 1972 cheguei a Santarém para ficar. Adaptei-me facilmente à vetusta e agradável cidade, após ter ouvido várias vezes a expressão «ir contra as tábuas» perguntei ao Senhor Augusto (dos jornais) o seu significado. Ele sorriu, olhou-me e disse: «aqui, em Santarém, ir contra as tábuas é ser palerma, ao modo dos bandarilheiros, se eles não sabem o terreno que pisam, se desconhecem a qualidade do animal e não dominam a muleta, vão contra as tábuas». Hermínio Martinho pronuncia a dita expressão amiúde.

Ora, o primeiro-ministro e seus ministros e os seus ajudantes caso do Sr. Galamba encostado às tábuas em Boticas, revelaram tão estridente apego ao conceito no que tange à construção do aeroporto do Montijo que toca as raias do absurdo. Fizeram a festa antes do tempo, pensaram no melhor modo de cozinhar o ovo e este estava por gerar no cú da galinha. Demonstrada rósea asneira avivada em sede das autarquias comunistas, o Dr. António Costa apressou-se a enviar pedido de auxílio a Rui Rio, este respondeu-lhe dentro do léxico taurino, fez-lhe com corte de mangas. A senhora Ana Catarina Mendes qual virgem ofendida rasgou as vestes, fungou lágrimas de crocodilo, disse do PSD aquilo que Mafoma não disse do toucinho. As senhoras do Bloco colocaram gotas de perfume nos cabelos e aos costumes disseram nenhures. Os comunistas entoaram em surdina: contra o Montijo marchar, marchar à espera de bonificações em futuros encontros de negociações.

O governo está enfiado numa camisa-de-onze-varas, o Sr. António Costa vai à bruxa na esperança de ficar no Montijo haja o que houver, aconteça o que acontecer.

No Ribatejo movimentam-se autarcas e deputados primacialmente do PSD no sentido de o aeroporto visando o futuro ser construído no aeródromo da Tancos. Os da zona de Leiria lembram entre os sons de sinos e sinetas Monte Real. A cousa promete até porque Costa é teimoso e herdou paciência de oriental. Não se esqueçam!

Armando Fernandes

Deixar uma resposta