Quarentena

Em Opinião

Se um cristão medieval tivesse a possibilidade de acostar no «expedito» porto de Lisboa, para lá da assombração devido ao visto, olhado, sentido, perscrutado e cheirado, no tocante a observância de jejuns e abstinências, não estranharia muito tendo em conta os preceitos quaresmais dessa época.

Estranharia sim a farândola da época de agora no tocante aos normativos religiosos porque uma epidemia vinda China obriga a profundas alteridades nos rituais, porquanto o rito tem-se traduzido no aumento dos homens e mulheres afastados da prática do preceituado no catecismo vigente, quanto mais no cânone da Idade Média.

No tocante aos receios imaginários perante o surto epidérmico não existem diferenças, só os tontos desmiolados bramem parvoíces a minimizarem a situação. Por um lado, são evidentes as probabilidades de a pandemia provocar uma avalanche de mortes (oxalá que não), por outro as economias estão a sofrer graves prejuízos e não adianta cantarolar – entre mortos e feridos alguém há-de escapar – porque os sobreviventes ficam de tal forma diminuídos que «antes a morte, que tal sorte». Estas palavras não são apocalípticas, nada disso, são expressão de prudência, não por acaso uma ordem religiosa elevou à condição de divisa «prudente como uma serpente» e não esqueçamos cautela e caldos de galinha nunca fizerem mal a ninguém.

Cumprir os preceitos de higiene por ser calcário para muito boa gente, se os cumprir o País fica mais salubre e respirável. Acreditem!

Armando Fernandes

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