A triste sina do Mercado Municipal de Santarém

Em Opinião

Apesar de não ser técnico ligado à construção civil, quando por vezes passo nas proximidades do Mercado Municipal e vejo o estado das obras que por lá se iam fazendo (agora paradas), mais parecem uma “badalhoquice” de uns rapazes que desrespeitam um edifício que representa um ex-libris da cidade de Santarém e que parece sem qualquer controlo por parte do Município.

Paredes nuas, ao sabor das chuvas e do vento, uns plásticos pretos e umas lonas “manhosas” a esconderem as desgraças das paredes exteriores, uns contentores ferrugentos… enfim. Uma obra pública tratada como se fosse um barraco para guardar lenha. E uma obra que foi adjudicada por quase 2 milhões de euros, com uma equipa de fiscalização que segundo ouvi dizer custa 70000 euros ao erário público.

A última e fresca novidade é que a obra vai ter que parar por cerca de 7 meses para resolver o problema da falta de fundações das paredes exteriores e outras resistentes. A justificação do Executivo da Câmara são razões de segurança e de garantia de qualidade de trabalhos da empreitada e do próprio edifício. Tudo isto por, só agora, com a obra já em avanço, terem constatado que as paredes antigas assentavam directamente no terreno, sem qualquer tipo de fundação. Um meu amigo engenheiro civil deu duas gargalhadas quando lhe transmiti esta justificação.

Já disse que não sou técnico ligado à construção civil, portanto os técnicos da Câmara não me devem reconhecer saberes da matéria para poder opinar sobre tal assunto. Mas, mesmo assim pergunto:

Aquelas paredes não têm mesmo fundações?…. Mau… Mas então aquele empreiteiro que em 1930 construiu o edifício em cerca de sete meses, o Sr. Alcino César, elevou as paredes resistentes do Mercado Municipal de qualquer maneira, sem fundações, e aguentaram estes 90 anos, à chuva, ao vento e a outras intempéries sem nada ter acontecido. Grande construtor aquele Alcino César. Ou teria aquele construtor praticado a técnica de elevar as paredes com as fundações directas, dada a rocha estar próxima da superfície, com uma pequena sapata contínua executada em alvenaria de pedra, dada a enorme largura destas paredes resistentes.

Um técnico amigo, esse sim, sabe de construção civil, disse-me que quando se intervém em edifícios antigos um requisito fundamental a tomar antes de se passar aos projectos, é o de “sondar”, verificar, analisar as paredes resistentes para se ter a certeza sobre a segurança estrutural e mecânica das paredes mestras.

Segundo também soube, as obras do Mercado Municipal previam rebaixar o nível do pavimento em cerca de 30 centímetros para colocar o novo pavimento e que, sobre estas paredes resistentes, estão previstas descarregar lajes aligeiradas de betão armado.

Mas os técnicos da Câmara Municipal, os projectistas, ou mesmo os técnicos do empreiteiro não sabiam que as paredes existentes deveriam ser previamente analisadas antes do início da obra? Não sabiam ou não interessava analisar? Será só incompetência, ou negligência?

Agora só nos resta perguntar quanto vão custar estes trabalhos a mais? Fala-se em mais de cerca de 360000 €. Será? Ou acabará por ser muito mais?

Projectos para a consolidação das paredes, indemnização ao empreiteiro, novo concurso, obras e mais obras …. Até quando?

Até ao verão de 2021? Se calhar até dava jeito uma grande inauguração nessa altura…

Manuel Rezinga

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