Pais pedem intervenção do Governo contra não cancelamento da viagem de finalistas a Punta Umbría

Em Sociedade

Os pais de cerca de 10 mil jovens, entre os quais muitas centenas de alunos de escolas do distrito de Santarém, inscritos na viagem de finalistas da agência XTravel ao “Festival Village” em Punta Umbría, na Andaluzia, Espanha, pedem a intervenção do Governo, após a agência XTravel se recusar a cancelar as deslocações, na sequência da epidemia de Covid-19.

Pai de Vila Nova da Barquinha protesta contra a prevalência dos valores económicos sobre a saúde

Mário de Castro, pai de um dos alunos da Escola Secundária de Vila Nova da Barquinha inscritos para a viagem de finalistas, conta ao Mais Ribatejo que face ao avanço da epidemia do coronavírus, muitos pais quiseram cancelar a viagem de finalistas, mas a agência recusa assumir essa responsabilidade e responde com uma proposta, com quatro hipóteses, indicando uma nova data para a realização do evento ou, alternativamente, um reembolso parcial, mas nenhuma das quais contemplando a devolução da totalidade das verbas já pagas pelos alunos.

Xtravel recusa reembolsar totalidade do valor da viagem

Em resposta às preocupações de muitos encarregados de educação, a XTravel publicou esta terça-feira um comunicado no Facebook em que recusa cancelar a “viagem de finalistas/Festival Village (FV2020)” a Punta Umbría, entre 28 de março e 3 de abril, em que estão inscritos cerca de dez mil alunos que pagaram 475 euros pela viagem e mais 120 euros por uma entrada nos concertos.

Na qualidade de encarregado de educação de um aluno com viagem de finalistas contratualizada com a empresa XTRAVEL, assim como todos os alunos finalistas da escola secundaria de Vila Nova da Barquinha, Mário Castro considera que vai contra todas as indicações das autoridades de saúde “enviar milhares de alunos para um só lugar? Isto vai contra todos os planos de contingência e recomendações do Governo e com certeza que será contra também os planos de contingência e recomendações do Governo Espanhol”. Para este encarregado de educação, “isto leva a pensar que os interesses económicos estão a frente de tudo e de todos, isto é um assunto de saúde pública que diz respeito a todos nos cidadãos do mundo sem exceção”.

Pais têm até quinta-feira para decidir

A agência Xtravel pede na sua página no Facebook “a todos os clientes que manifestem, a partir das 10h00 do dia 11 de Março, através do acesso à sua área de cliente, qual a opção pretendida das abaixo indicadas. Opções: 1. Participação no evento, de acordo com o contratualizado, entre 28 de Março a 3 Abril de 2020. 2. Participação no evento no mês de Dezembro de 2020 (16 a 22 de Dezembro). 3. Cancelamento da inscrição no FV2020 mediante reembolso de 30% do valor já pago, para clientes que tenham pago a totalidade do pacote de viagem dentro dos prazos estabelecidos.
4. Cancelamento da inscrição mediante um crédito correspondente a 50% do valor já pago, para clientes que tenham pago a totalidade do pacote de viagem dentro dos prazos estabelecidos, para utilização noutros produtos da Xtravel, tais como viagens a outros destinos, excluindo e edição do FV2021. Os clientes que não se pronunciarem até à data limite de 23h59 de quinta-feira dia 12 de Março, perdem o direito à alteração, permanecendo assim na condição contratual em que se encontravam ao tempo”.

Pais apelam à intervenção do Governo

Perante esta situação, os pais publicaram esta terça-feira à noite uma carta aberta no Facebook, dirigida à ministra da Saúde, ao ministro da Educação e à Diretora-Geral da Saúde. “Atendendo a que esta postura da Xtravel é contrária a todas as indicações que tem sido dadas, quer Comissão Europeia, quer pelo Ministério da Saúde Direção Gerald de Saúde, quer pelo Ministério da Educação, os pais afetados por esta decisão solicitam a estes três organismos assumam publicamente uma posição”.

Feitas as contas, esta viagem de finalistas gera uma receita para a agência de viagens de cerca de 4,5 milhões de euros. Por isso, a Xtravel salienta que “celebrou com os seus clientes por um lado e com os seus fornecedores por outro, contratos que são muito claros quanto às obrigações que a Xtravel assumiu e em que incorre. Trata-se de uma situação extremamente delicada que tem vindo a ser avaliada todos os dias”.

Na resposta aos pais, a empresa refere que “existem naturalmente vínculos contratuais que ligam a Xtravel a organizadores do evento e por sua vez a prestadores de serviços de hotelaria, transportes, produção, artistas, entre outros, e que visam e visavam garantir de forma responsável a produção do FV2020. É evidente que ao tempo da sua celebração não era razoável prever-se um cenário como que assistimos hoje por toda a Europa, assim como não é legalmente possível por parte da Xtravel reclamar junto dos seus parceiros o ressarcimento de uma parte significativa dos valores já pagos ao longo dos últimos meses, quando também eles já incorreram em custos. É da mais elementar justiça não julgar quem tudo fez, cumprindo a lei, para que um evento ocorra de forma responsável e bem organizada como tem acontecido ao longo dos últimos 10 anos”.

Encarregados de educação ameaçam levar o caso aos tribunais

Para os pais, a Xtravel, “escudando-se em que o Governo não fechou fronteiras nem proibiu as viagens, recusa cumprir a sua obrigação para com os pais e, sobretudo, o dever cívico para com um mundo que enfrenta uma pandemia”.
Perante a gravidade desta situação, “os pais apelamos a uma posição clara por parte do Governo e autoridades de saúde deste país, recusando ficar reféns dos interesses económicos de uma agência sem sentido cívico e admitindo avançar com uma ação coletiva em tribunal”.

Jovens contrariados com cancelamento da viagem de finalistas

Acontece, porém, que há também muitos alunos (os maiores de idade podem decidir) que continuam a querer ir à viagem, em oposição à pretensão dos encarregados de educação, como se pode observar nos comentários na página que os pais abriram no Facebook, e principalmente no Twitter, rede mais frequentada pelos jovens.

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