Reeducação Parental

Em Opinião

Nestes últimos dias, semanas, tenho refletido bastante sobre um grave problema na nossa sociedade: pais cada vez mais absorvidos pelo trabalho, parecendo não ter a mínima paciência para uma birra dos filhos, para um pedido diferente do da rotina…a solução é simples: passarem-lhes um gadget para as mãos, até mesmo à hora das refeições.

Os pais têm cada vez mais medos comuns, como o colocarem os filhos a nadar, subir às árvores, caírem da bicicleta, aquilo a que Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), chama o “Terrorismo do Não”. Vejamos, estamos perante uma cultura do medo, imposta por regras às crianças como não puderem brincar na rua, brincar às lutas, correrem pelos campos. As crianças não sabem correr, não sabem trepar. Mas o problema não passa só pelos pais ou por aqueles que estão a cuidar das crianças, passa também pelas autarquias, uma vez que as cidades não estão preparadas para as crianças, a nível de segurança, as crianças só podem, em maior parte dos casos, brincar na rua com a supervisão de um adulto por perto, ou seja, os recreios são a única opção que as crianças têm.

E é aqui que se levanta a questão da reeducação parental. Nos dias de hoje parece que são os pais, ou os cuidadores das crianças, que necessitam de uma nova educação, como educar as suas crianças. E não falo em proibição do uso de tablets, computadores ou telemóveis, mas sim do estabelecimento de horários para o seu uso.

Estamos a criar crianças, jovens com espírito crítico ou precisamente o contrário? As crianças de hoje são tudo menos felizes, estão a perder inúmeras fases importantes do seu crescimento, como caírem ao jogarem futebol, rasgarem as calças, esfolarem os joelhos, subirem às árvores. Aliás, existem crianças que nem andar de bicicleta sabem, assim como não sabem saltar ao pé coxinho, saltar à corda, atar os sapatos.

As crianças estão cada vez mais sedentárias, mal pegam em livros para ler, sendo que estes fundamentais para estimular novas ideias, desenvolver capacidades cognitivas, por exemplo.

O que temos de ensinar às crianças não é a desistirem ao primeiro desafio, não arriscarem. Aquilo que temos que aprender e ensinar é, acima de tudo, a serem capazes de lutar contra todas as dificuldades, contudo, continuamos a ter uma cultura extremamente protetora.

Aqui deixo a todos os pais e cuidadores das crianças o seguinte desafio: brinquem uns com os outros, façam programas out of the box, explorem, conheçam!

Jéssica Vassalo

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