As nossas vidas suspensas

Em Opinião

Portugueses, portuguesas, cidadãos residentes neste nosso Portugalinho, se todos nós tivéssemos cumprido, desde o início as indicações dadas pela Ministra da Saúde, Marta Temido e a Srª Diretora Geral da Saúde, Graça Martins, não tínhamos chegado a este ponto.

Fazendo uma breve explicação, existem dois tipos de estados que podem ser decretados, o de sítio e o de emergência. O de sítio refere-se à segurança nacional, sendo estes decretados em casos excecionais, como revoltas populares ou situações de guerra. Já os de emergência são para situações de menor gravidade, como referem Gomes Canotilho e Vital Moreira, “Trata-se de um afloramento da ideia de que o estado de emergência é um “menos” em relação ao estado de sítio, menos gravoso para os direitos fundamentais, afetando menor número deles e restringindo o seu exercício menos intensamente.

Posto isto, não! O estado de emergência não é o estado mais elevado!

Mas vejamos… até onde é que se podem restringir as liberdades? Como é que o Estado vai garantir o acesso à saúde? Até que ponto é que vai o nosso individualismo contra os outros? Ou seria melhor dizer egoísmo…? O Homem é egoísta. E este egoísmo não tem limites, o Homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz. (tomemos o exemplo da questão das compras nos supermercados, as pessoas levaram bens desnecessários, em demasia, sem pensar no próximo)

Lógico que esta questão do possível estado de emergência vai trazer tensões entre liberdade e segurança.

Este povo foi, todo ele, durante algum tempo, um povo de políticos. É urgente que o volte a ser porque a política é mesmo pertença de todos, como diz Saramago. Estamos cada vez mais a criar e a depararmo-nos com pessoas sem espírito crítico, que parece não entenderem a necessidade de cumprir o período de quarentena e de isolamento.

Continuem a ir para as praias como se nada fosse, continuem a comprar bens em excesso como se os supermercados fossem todos fechar ou como o mundo fosse acabar, continuem a não ter cuidados de distância de segurança ao conversar com alguém, continuem a tossir sem colocar o antebraço à frente, continuem a ser arrogantes.

Não se esqueçam, o nosso Governo tem agido extremamente bem, tem sido eficaz e rápido no contexto europeu.

Esta pandemia só veio mostrar o que temos para andar enquanto comunidade, pensar no outro, na adversidade. Infelizmente, continua a ser algo que só parece acontecer pela força, algo que nos devia fazer pensar sobre como tratamos os outros. Uma espécie de black mirror que nos vai mostrando o pior da Humanidade, felizmente com algumas exceções louváveis, e prefiro focar-me na exceção até que vire regra.

Jéssica Vassalo

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