Que a nova peste não traga a eugenia

Em Opinião


I – Peste de Justiniano – em 541 d.c., vinda do Egipto, via Ragusa, Roma, Marselha, chega à Europa uma doença  que se prolongará no mediterrâneo, até ao século VIII. O monge, depois Papa Gregório, e a memória de S. Sebastião são praticamente o único remédio de que as pessoas dispõem. As cópias da Cloaca Maxima surgem em inúmeras cidades, o número de mortes é incalculável. Nessa época a acção benéfica dos cistercienses modernizando a agricultura e alguns saberes romanos (tecnologias, meios de produção) tornaram as fomes (um terrível flagelo, dado que a humanidade não se conseguia sustentar) um pesadelo pertencente ao passado.

II – Entre 1346 e 1352, a Europa é invadida por uma peste horrível (bubónica ou pulmonar), oriunda da China, Império otomano, via portos como Génova, Veneza, Marselha, Bordéus, Túnis. O número de mortos parece, no surto inicial, ter  aniquilado uma parte apreciável da população europeia (entre 25 e quarenta milhões) e apenas termina (mantendo-se activa, em pequenos surtos locais, da Rússia a Marselha) até 1720. Há episódios horríveis, como o de Milão, em 1564, combatido com tenacidade suicida, por S. Carlos Borromeu, arcebispo da cidade.


III – Em 1866, com apogeu em 1894-1910, surge no Yunnan nova peste, que, via Cantão e Hong-Kong, se propaga mundialmente. O mecanismo desta nova epidemia (peste bubónica e pulmonar, em 1910) já é estudado, conhecido e combatido com muito mais eficácia (o suíço Yersin, o francês Pasteur)  mas ainda mata milhões.

IV – Após o enfraquecimento produtivo e de saúde das populações envolvidas no conflito (1914-18), a gripe mata entre 15 a 20 milhões de pessoas.

V –  Para maximizar o recurso a todos os os meios de aniquilação de inimigos o benemérito Joseph Mengele propõe a aniquilação (eutanásia de velhos, deficientes e doentes crónicos, alargando depois, sempre generoso, a ciganos , judeus, comunistas e  outros que eram desnecessários ao reino de mil anos do III Reich).
Desejo ardentemente que seja “fake news” o repetir de tal selecção nos Hospitais espanhóis….

Carlos Moitinho de Macedo

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