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Trabalhadores imigrantes, mais frágeis face no Covid-19

Em Opinião

Nas férteis terras que o rio Tejo visitava em cheias de vida, há seres que trabalham. Já não são os “ratinhos, os gaibéus ou os caramelos” quem conquista o “pão que o diabo amassou”. Quem hoje assegura a produção alimentar são imigrantes vindos de longínquas paragens; são submissos, temerosos e “escondidos”, num quase mundo paralelo.

Muitos de nós fingimos que não vemos. Mas são eles que “vendem a força do seu trabalho” por salários muito inferiores ao que nós exigiríamos. É comum ouvirmos os patrões latifundiários queixarem-se da falta de trabalhadores, mas eles queixam-se é da falta de escravos!

Estes imigrantes vivem, quase sempre, nas mais débeis condições sanitárias. É verdade que já não dormem em palheiros, como os gaibéus, mas vivem em casas sobrelotadas. Aqui perto é fácil vê-los em locais como Vale de Santarém ou Pombalinho. Eles vieram para os campos como os nossos antepassados: para fugir à fome, perscrutar a esperança de uma vida melhor.

Tal como já aconteceu no Alentejo, quando alguma pessoa de um grupo de imigrantes é infetada pelo Covid-19 rapidamente todo aquele grupo é contaminado. Acresce que as condições de submissão em que muitos vivem, dependentes de relações laborais muito duvidosas e opressoras, só dificultam a partilha das suas fragilidades em particular na doença. A tuberculose já é um exemplo disso.

Muitos imigrantes já conseguiram reagrupamento familiar e as suas crianças já frequentam o ensino público. As escolas e as crianças são, pois, um ponto de comunicação precioso para alargar a essas comunidades a prevenção da epidemia, a partilha de conhecimento e as necessidades à defesa da saúde pública e individual.

Quando um “venturado” destila ódio contra os imigrantes ele está a pretender o regime de sofrimento que já sofreram os “ratinhos, os gaibéus ou os caramelos”. Quando um “venturado” marginaliza quem é fundamental na produção da alimentação saberá que está a atacar toda a população.

Se há evidências que a epidemia tornou irrefutáveis, elas chamam-se solidariedade, fraternidade, bons serviços públicos para todas as pessoas.

Uma medida positiva, enquadrada na resposta à epidemia, que o governo agora tomou, foi a regularização “automática”de imigrantes com processo no SEF. Estes ficarão em situação regular e terão acesso aos mesmos direitos que as outras pessoas, incluindo os apoios sociais. 

Indago-me daqueles que estão “fora do sistema”, os sem contrato ou com contrato a prazo de curta duração. Muitos já trabalham em fábricas da região, subcontratados por empresas de trabalho temporário, às vezes em contrato ao dia… Essas pessoas são as primeiras a sofrer despedimento, algumas nem lay-off terão…

Ainda há muito por fazer no caminho da solidariedade!

Todas as pessoas são pessoas!

Vítor Franco

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