fbpx

Variações em vírus

Em Opinião

Os médicos à força, ao estilo do criado por Molière, ante uma gripe prescreviam: abife-se, avinhe-se a abafe-se. O paciente cumpria escrupulosamente o prescrito, muitas vezes para lá disso, sempre era uma maneira de debelar uma ínfima percentagem da fome ancestral e após várias suadelas o febrão passava a ser uma saudade dos bifes e do vinho cognominado pomada. Ora, se as pomadas tinham o efeito de curar, os bifes proporcionavam forças retemperadas através do forçado descanso. Eram outros tempos, podia-se comer carne de vaca e vitela sem os pacientes terem à perna um reitor de borla e capelo a vociferar maldições contra os ruminantes acompanhado pelo coro de fundamentalistas pseudo-esotéricos de uma organização denominada PAH.

Neste tempo quaresmal de quarentena não se sabe até quando, infelizmente para nós, um vírus tomou conta das nossas vidas subvertendo todos os princípios e normativos imanentes de sociedades ditas civilizadas, cultas e cosmopolitas. Tudo está a ir pró Maneta se me é permitida a lembrança do tenebroso francês amante dos bons vinhos e aguardentes da então Estremadura portuguesa que como ensinam os Atlas e Dicionários geográficos estendia-se ao hoje Ribatejo. O Maneta além da sua crueldade aliava outras péssimas inqualidades, incluindo as de ser gatuno, ladrão, salteador. Porque a quarentena deve ser aproveitada para os senhores deputados e deputadas aumentarem os seus conhecimentos recomendo à generalidade dos parlamentares em geral e à afro-portuguesa em particular o seu apuramento relativo à nossa História com H maiúsculo.

O vilão microscópico está a infernizar e a matar milhares de pessoas, o medo tomou conta de nós, este e outros artigos reflectem-no, todos opinamos à espera de um qualquer flautista vindo de um qualquer sítio (pode-se repetir o milagre de Hamelin) trazendo na sacola a vacina do nosso contentamento por nos salvar. A minha prece aos Deuses refastelados no Olimpo é de ontem já era tarde, não podemos ser exterminados como os coelhos atacados pela mixiomatose.

Porque muitas pessoas ficam alteradas após ouvirem e verem os verbosos e repetitivos noticiários tão compridos quanto a légua da Póvoa (do Varzim), porque temo ser contaminado dada a minha constante apetência pelas notícias vou imitar o meu vizinho Sr. Mendes. O Sr. Mendes aboliu toda a casta de noticiários após o almoço, optou por preencher o tempo sumamente disponível vendo telenovelas. O vizinho afirma convicto: «é muito melhor ver telenovelas pois vejo gajas boas». Aqui fica o conselho, que lhes aproveite!

Armando Fernandes

Deixar uma resposta

Recentes de Opinião

Ou 8 ou 80

O surto da pandemia deu origem a uma réplica do programa dos…

Ir para Início
%d bloggers like this: