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Mais do mesmo… ou talvez não…

Em Opinião

Queiramos ou não, o tema incontornável do dia continua a ser a pandemia, o corona vírus. E bom seria que fosse só o tema do dia. O pior é que é também o tema do mês, do ano, da década e, muito provavelmente e quase certamente, um dos temas marcantes do século.

Não só pelo problema de saúde que acarreta um grande número de mortes, mas também pelas consequências económicas, financeiras e muito também sociais que impõe.

Já todos o sabemos, mas nem por isso podemos ou devemos deixar de falar e de debater o assunto. Ele é demasiado importante porque vai mudar, está a mudar e até já mudou em muito a nossa vida. Talvez para sempre.

E isso é bom e é mau. E, mais preocupante, não sabemos por agora o que terão exatamente de bom e de mau para o nosso futuro todas as mudanças a que estamos a assistir…

Habituamo-nos e adaptamo-nos a tudo. Isso é bom, muito bom mesmo, sobretudo a médio e longo prazo, porque nos faz conseguir resistir e ultrapassar os problemas, as dificuldades, a enfrentá-los e superá-los. Mas também é mau, bem mau, mais no curto prazo, porque nos faz confiar muito que estamos imunes, que as coisas só acontecem aos outros; o que no presente caso pode resultar num abrandar de cuidados, como o isolamento social e outros, o que, em escala, pode levar a um novo aumento da propagação do vírus. Não podemos nem devemos incorrer nessa armadilha.

Banalizamos aquilo que se nos torna familiar. Mesmo que sejam factos muito perigosos, mesmo mortais. Morrem cerca de 300 pessoas por mês em Portugal, em média, devido a gripe e não a tememos porque a conhecemos, porque a ela estamos habituados. Não temos qualquer hesitação em entrar num carro e morrem de desastre de automóvel cerca de 3 pessoas a cada 2 dias. Para já não falar das mortes por fome, que individualmente não podemos minorar, diremos, mas que, como gente e como comunidade mundial, poderíamos não só minorar, como até eliminar por completo. A fome causa quase metade de todas as mortes de crianças em todo o mundo – morrem 8 500 crianças por dia por fome. E já nem ligamos, é normal… “O que vamos fazer?!”, consolamo-nos…

E mais tarde, anos mais tarde, tudo passa a ser história. Como para nós é história distante e enfrentamos com frieza o que ouvimos e lemos sobre a gripe espanhola, que pode ter levado à morte 50 a 100 milhões de pessoas e infetado um quarto da população mundial à época, ou a II Guerra que matou um total estimado de 70 a 85 milhões de pessoas, ou seja cerca de 3% da população mundial em 1940, o que representaria hoje mais ou menos 250 milhões de gente. Até agora morreram à roda de 75 000 mortes por covid-19.

Nada do que disse nega a necessidade de mantermos os máximos cuidados, ficando em casa, mantendo o isolamento social, etc., como referi atrás. É que, neste caso, ainda não conhecemos a evolução próxima futura, na nossa zona, em Portugal e no Mundo, ainda não estamos na fase de tudo isto ser história.

Ficou hoje aqui por falar, por comentar e tentar prever as mudanças que nós como gente, que a nossa vida e que o mundo, o mais próximo e o mais longínquo, vai sofrer. Vamos ser melhores no futuro, ficará desta vez algum ensinamento? Em quê? O que seria bom que mudasse? Como imaginamos esse novo mundo?! Vá pensando nisso. Acho que para a semana ainda vou batalhar mais neste tema do Corona Vírus. Há muito para dizer, para pensar, para debater. Para além disso, sobre o que mais havemos de falar?! É daqui que surgirão os nossos novos tempos, a nossa nova vida…

Francisco Mendes

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