Quarta-feira, Maio 22, 2024
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Empresa de Santarém adaptou-se e fabrica material para batas hospitalares

Uma empresa de Santarém que fornece têxteis para a indústria automóvel reconverteu as suas linhas de produção, estando já certificada para o fabrico de não-tecido destinado à confeção de batas e fatos hospitalares.

A TrimNW, que recebeu hoje a visita do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, que coordena a execução do estado de emergência devido à covid-19 na Região de Lisboa e Vale do Tejo, iniciou esta semana a produção de não-tecido (material semelhante ao tecido feito de fibras e um polímero), tendo uma capacidade imediata de fabrico de 25.000 metros lineares diários, suficientes para a confeção de 25.000 batas.

O diretor-geral da TrimNW, Rui Lopes, afirmou que existem já contactos com empresas de confeção, tendo a presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), Salomé Rafael, adiantado que a LRP, situada em Ourém (também no distrito de Santarém) apenas aguarda a certificação do Citeve, centro tecnológico da indústria têxtil, para colocar fatos e batas hospitalares no mercado.

Com a paragem da indústria automóvel, para a qual a TrimNW produzia peças têxteis moldáveis para o interior de viaturas – como é o caso dos tejadilhos dos táxis que circulam em Londres -, a empresa colocou 20 trabalhadores em ‘lay-off’, que admite agora chamar para retomar o trabalho na próxima semana.

Com os trabalhadores ainda em funções, a empresa, criada em 2015 por antigos funcionários da Ipetex, que entrou em insolvência naquele ano, reconverteu uma das suas linhas de produção para a criação de um material impermeável que pode ser usado para as batas e fatos hospitalares, admitindo poder fazer alterações para passar igualmente a produzir máscaras não cirúrgicas.

Rui Lopes afirmou que a empresa tem capacidade para atingir uma produção de 175.000 metros lineares por semana, se for necessário entrar em funcionamento permanente, o suficiente para produzir 175.000 batas, ou mesmo chegar aos 300.000 metros, se usar a sua segunda linha de produção.

A presidente do conselho de administração do Hospital Distrital de Santarém, Ana Infante, adiantou que, nesta fase de pandemia, o HDS necessita de 500 batas por dia, uma vez que tem, “inteiramente dedicados à covid”, dois pisos de internamento, duas unidades de cuidados intensivos e uma urgência.

Duarte Cordeiro considerou “determinante” a capacidade de adaptação das empresas em circunstâncias como a provocada por esta pandemia, saudando a possibilidade de haver resposta para as necessidades na indústria nacional.

O secretário de Estado lembrou que os fornecedores de equipamento hospitalar podem inscrever-se no site da Direção-Geral da Saúde, “sinalizando o que conseguem produzir e os preços, para que o Serviço Nacional de Saúde os compre”.

Para Duarte Cordeiro, a TrimNW é “um exemplo muito feliz”, que espera que, “não só responda a uma necessidade, mas também inspire muitas outras empresas que também estão num processo de adaptação”.

Prevenção em lares é prioridade em Lisboa e Vale do Tejo

O secretário de Estado Duarte Cordeiro coordena a execução do estado de emergência na Região de Lisboa e Vale do Tejo, disse hoje que a prevenção, sobretudo nos lares, e a melhoria da comunicação entre setores são prioritárias.

Nomeado há uma semana para a coordenação das diferentes entidades que intervêm na região, Duarte Cordeiro afirmou que foi uma “agradável surpresa” ter encontrado planos de contingência preparados, sobretudo no distrito de Santarém, para responder no caso de serem identificados casos de infeção pelo novo coronavírus em instituições, particularmente em lares.

“Temos tido alguns casos, tenho sentido que há prontidão na resposta e que os meios estão preparados”, disse, salientando que tem vindo a trabalhar no sentido de melhorar procedimentos, em particular a comunicação, entre os vários setores, e de ultrapassar a falta de meios.

“O trabalho e o nosso foco vai ser muito a prevenção, nomeadamente ao nível dos lares”, declarou, assegurando que o objetivo é conseguir que estes equipamentos estejam “devidamente preparados para funcionar em período de emergência”.

Isto implica que “têm que ter cuidado com os profissionais que entram e saem, para não serem foco de contágios, que têm que ter muito boa separação do que são os sujos e os equipamentos que são utilizados”.

O objetivo, disse, depois de feito o levantamento de todas as situações, é “começar a testar e verificar que está tudo bem, e, quando não está, ter respostas prontas, saber exatamente para onde encaminhar cada pessoa, se surgir em qualquer ponto do território um caso de alguém que fique doente com a covid-19”.

Duarte Cordeiro assegurou que tem havido um esforço em responder às queixas de falta de equipamento de proteção individual, sublinhando existir já uma melhoria em relação aos “stocks de resposta” na área da saúde e das forças de segurança.

“Noutras áreas temos ainda que reforçar a resposta, nomeadamente nas IPSS”, admitiu, afirmando que “algumas já tiveram remessas de equipamentos”.

A Região de Lisboa e Vale do Tejo abrange integralmente o distrito de Lisboa, a quase a totalidade do distrito de Santarém, cerca da metade do distrito de Setúbal e cerca de um terço do distrito de Leiria.

Duarte Cordeiro foi um dos cinco secretários de Estado designados no passado dia 06 pelo primeiro-ministro como autoridades para coordenar a execução da declaração do estado de emergência no território continental, ao nível local.

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