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Entrevista com Válter Ferreira, coordenador da União dos Sindicatos de Santarém: “Autoridade das Condições de trabalho não está a cumprir com a fiscalização exigida”

Em Empresas

O coordenador da União dos Sindicatos do Distrito de Santarém, Válter Ferreira, faz o retrato da situação sócio-laboral na região, face aos efeitos da pandemia do novo coronavírus, numa vídeo-entrevista para ver aqui.

“Verificamos uma série de atropelos e limitações aos direitos de quem trabalha”, afirma Valter Ferreira, sublinhando que a medida do lay-off penaliza os trabalhadores no seu rendimento, e protege os lucros e as fortunas milionárias de grandes empresas, em vez de apoiar as micro e pequenas empresas”.

Uma das maiores preocupações da União dos Sindicatos é a falta de equipamentos de proteção individual dos trabalhadores da saúde, dos supermercados e das fábricas. Válter Ferreira afirma que a ACT – Autoridade paras Condições de trabalho não está ter o comportamento que se exige, apesar das denúncias que a União de Sindicatos e os trabalhjadores têm feito chegar a esta entidade que viu reforçados os seus poderes, mas aparentemente não tem os meios humanos necessários para intervir.

O coordenador da União dos Sindicatos fala de dezenas de trabalhadores infetados na fábrica da Sonae em Santarém e na Rodoviária do Tejo. “A ACT teve conhecimento da nossa denúncia, mas nem falou com os trabalhadores, nem foi à empresa fiscalizar, limitou-se apenas a telefonar para empresa e considerou que estava tudo bem”, afirma.

Lamenta os abusos da medida do lay-off por parte de grandes empresas que ano após ano acumulam lucros milionários e que desta forma passam para os trabalhadores que perdem um terço do salário e para a segurança slcial, os custos desta crise.

O sindicalista refere que apesar do setor da alimentação estar a trabalhar a 100% e nalguns casos até está a produzir muito acima do habitual, há empresas que estão a aproveitar-se para proteger os lucros e aumentar as fortunas milionárias dos seus acionistas. “Quem paga a crise são sempre os trabalhadores e a segurança social, através do lay-off”, afirma. Aponta o caso da Sumol+Compal de Almeirim que colocou 40% dos trabalhadores em lay-off. “Mandou os trabalhadores para casa em lay-off, sem um terço do salário, sem subsídio de turno e de refeição, mas obriga-os a estarem disponíveis em casa 24 h/dia, o que é ilegal”, afirma Valter Ferreira.

Válter Ferreira denuncia igualmente os despedimentos de milhares de trabalhadores com contratos a prazo e em período experimental de trabalho, por parte também de empresas que estão em lay-off. Nesse sentido, defende que o Governo devia proibir os despedimentos destas empresas em lay-off. “Primeiro é preciso defender as pessoas e só depois é que se pode pensar em proteger os lucros das empresas”.

Aponta também alguns bons exemplos como o das Carnes Nobre em Rio Maior que foi muito além do que são as exiências legais de proteção dos trabalhadores, e concedeu apoios sociais e transportes aos trabalhadores, em articulação com os sindicatos.

Apesar das restrições impostas, a União dos Sindicatos não tem tido mãos a medir com o trabalho de apoio e informação aos trabalhadores os distrito. “Os sindicatos têm desempenhado um papel muito importante. No mês passado houve muitas alterações da legislação e normas que tivemos de actualizar para podermos dar essa informação aos trabalhadores que, naturalmente, não têm tempo nem meios para se manter a par detudo o que está a mudar. Por isso, o nosso trabalho dirige-se em primeiro lugar para a informação dos trabalhadores, paera o esclarecimento dos seus direitos, e depois para a intervenção nas empresas para fazer valer os seus direitos dos trabalhadores, e em última instância denunciar as situações de ilegalidade junto das ACT e da tutela”, afirma Valter Ferreira. Termina a entrevista, dirigindo-se a todos os trabalhadores, mesmo os não sindicalizados, para que façam chegar as suas denúncias para que os sindicatos possa intervir.

Veja aqui a entrevista completa.

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