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Rui Rio – Um Patriota!

Em Opinião

Rui Rio escreveu-me uma carta. Rui Rio escreveu-me uma carta enquanto presidente do partido em que milito, como o fez a todos os filiados no PSD, agradecendo-me pela postura construtiva e de cooperação evidenciada nestes tempos de descomunais dificuldades.

O Partido Social Democrata é uma agremiação histórica e extremamente responsável, logo, neste agreste período, deve fazer parte da solução e não ser uma máquina de ruído crítico que contribui para uma menor eficiência e eficácia das medidas que têm sido aplicadas para superar os malefícios desta pandemia.

Ora, tudo isto me parece razoável e até moralizante: um líder, num esforço afirmativo de aproximação, a felicitar aqueles que fazem do PSD uma parte das suas vidas e das suas identidades. Eu sou do PSD, não repetimos tantas vezes?

Contudo, de repente, comecei a observar que esta positiva ideia do homem de sobrenome flumíneo foi recebida com uma enxurrada de iracundas condenações – imagino o rasgar das camisas – dos mesmos do costume; daqueles que não conseguem apontar um momento de boa actuação, ainda que com a grandeza de um fino grão de areia, da pessoa que comanda os destinos do Partido Social Democrata.

Tentando compreender o porquê das coléricas censuras, apercebi-me de que estas expressam a resiliente e persistente azia de gente que não aceita os resultados internos do Partido Social Democrata e deturpa as palavras de Rui Rio, classificando-as de apologia da irreflexão e do agir acrítico e considerando que este os apelidou de não-patriotas.

Basta ler a missiva para se entender que o propósito do timoneiro do barco laranja não é escudar qualquer tipo de acefalia política, mas sim consciencializar-nos da necessidade de nos unirmos na suplantação desta inesperada e adversa conjuntura; o propósito é o de ultrapassarmos o vírus, deixando-o lá longe, da forma mais célere possível e com um mínimo de sequelas.

Quanto à questão do patriotismo, à exprobração do oportunismo político em contexto pandémico, Rui Rio tem razão! Essas condutas não são éticas, nem patrióticas! Portanto, para sabermos a quem assenta a carapuça, apenas nos cabe identificar quem, por estes dias, está a espumar que nem um animal raivoso.

O posicionamento que Rui Rio nos exorta a seguir não impede que possamos analisar as decisões dos nossos governantes e que, produto desse escrutínio, apontemos algumas das suas fragilidades ou que as questionemos, desde com serenidade, e até que apresentemos sugestões e correcções.

Aliás, não nos persuade a evitar exprimir que o nosso primeiro-ministro, entre outros membros do Executivo, iniciou um périplo perigoso pela autopromoção. Como asseverou David Justino: “Nas últimas duas semanas, o primeiro-ministro deu sete entrevistas, mais três conferências de imprensa, avisou os jornalistas que ia às compras e foi à RTP assistir à primeira sala de aula.”

Algumas das referidas intervenções de António Costa no espaço mediático podem ser qualificadas de verdadeiramente pedagógicas e informativas; porém, essa agradável apreciação não se estende à integralidade dos casos.

O que Rui Rio nos quer dizer, sem ponta de incerteza, é que se exige escrúpulos ao definirmos o que expressamos e cuidado na escolha dos vocábulos utilizados para veicular as mensagens; que a repreensão e o ataque pessoal, a não ser que a urgência o demande, devem ficar fechados num baú; e que nos incumbe, sobretudo, não desgastar a confiança dos portugueses nas instituições nacionais que estão a gerir a crise.

Se incorrermos nesse pérfido erro, estaremos, fundamentalmente, a incentivar os nossos concidadãos a não acatarem as constringentes determinações – ninguém o nega – que salvam vidas.

Se não há fidúcia, para quê obedecer?

Reitero: há que ser prudente! Muito prudente!

João Salvador Fernandes

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