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Memorando dos primeiros passos dum país parado

Em Opinião

Posto que o futebol retoma treinos, ainda à porta fechada, mesmo antes que os museus abram portas, que espectáculos comecem, que as associações se atrevam a retomar actividades, que professores e alunos, cautelosamente voltem a estar juntos em aulas no palco da adolescência de tantos jovens; muito antes, vem a igreja católica lamentar “de coração em lágrimas” como foi afirmado pelo responsável do Santuário, a falta de público no 13 de Maio deste ano, no recinto de celebrações para os habituais milhares em Fátima.

Supomos que sejam as mesmas qualificadas “lágrimas” que as SAD`s desportivas sentirão pela falta da entrada de receitas…a cada um as suas perdas…

Aos jogadores já alguns clubes sugeriram redução de “salários”; ai lojas de modas, ai cabeleireiros e maquilhadores das estrelas/esposas, privadas de fotos nas revistas de cor-de-rosa tão desmaiado…

Aos trabalhadores da cultura, não há reduções que lhes valham o pão de cada dia.

Trabalhando em cima das suas poupanças – a existirem, bem entendido, vão encolhendo estômagos e vícios consentidos – café, tabaco, raspadinhas…

Pois é; lágrimas todos vão sentindo; umas mais baratinhas outras a valerem milhares!

São as desigualdades do xadrez que nos tem decorado as vidas!

Trabalhadores arrumados em sectores, empresários e banqueiros escutados, compreendidos e subsidiados, desempregados remetidos para a (in)segurança social.

Habituados à linguagem comum, sem esquecer o passado recente do Dia da Língua Portuguesa, somos convidados a pensar na implicação que nos impele a fechar frases, pensamentos, sentires – um AMEN mágico, encerra o pássaro da alma na gaiola fechada com cadeado, de modo a que nenhum pensamento se escape depois de recitada a tal palavra.

Para bom entendedor, uma palavra apenas para calar multidões!

Oh supostos senhores do mundo, sem que ele vos reconheça para além duma linha a que se convencionou chamar fronteira, dum concelho, duma região, tenham a noção das proporções – um bocadinho de respeito pelos mil e tal mortos acontecidos em Portugal…contenham as tais lágrima$  feitas de contabilidade$ que o vírus vos desviou!

A  muitas famílias retirou vidas, sustento, planos e sonhos.

A outros convidou a um definitivo adeus não à virgem mas ao MEDO.

Tenham decência.

Dediquem-se às vossas continhas…

Para fim de celebração, um Amen muito grande para vocês!

Manuela Marques

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