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A tempestade perfeita no mundo… e em Santarém

Em Opinião

O que se fala

Um dos slogans motivacionais mais vistos e difundidos por aí, desde que esta crise virulenta teve início e que se pode ver em todo o lugar, muitas das vezes desenhado por crianças, tem como elemento decorativo o arco-íris e diz que “VAI FICAR TUDO BEM”.

Será legítimo enganar assim as crianças e tentar também animar os adultos, com tamanha inverdade? Como se uns e outros não vivessem já num mundo que não prometia nada de bom para ninguém, mesmo antes do início da pandemia e que vai tornar este nosso planeta muito pouco recomendável para se viver.

A frase em si, até pode ser considerada como um incentivo e um acréscimo de ânimo para quem se encontra confrontado e preocupado com tudo o que vai vendo e ouvindo pelo mundo, mas não tenhamos dúvidas sobre o que nos vai esperar nos próximos tempos, mesmo que se considere o vírus completamente controlado.

O “Vai ficar tudo bem” também me faz lembrar outra muito usada pelos motivadores ingénuos que é o “Estamos todos no mesmo barco”. Duas falácias que só um otimista irresponsável ou mal informado, é capaz de defender. Nem vai ficar tudo bem, nem o barco é igual para todos.

A tempestade que está ainda na fase primeira do seu desenvolvimento, vai deixar bem, apenas uma ínfima percentagem da população mundial e os barcos que a vão enfrentar são muito diferentes. Há os que aguentam qualquer mar – os barcos dos ricos e poderosos e depois, há aquelas canoas que só navegam em águas paradas e que à mínima ondulação, se afundam com os desgraçados que lá vão dentro e que são os mais vulneráveis da sociedade. Deixando estas metáforas de lado, mas continuando com o mar como mote, quem se lixa sempre nestas crises é o mexilhão, isto é: o pobre ou o remediado.

As condições perfeitas para uma tragédia

Temos à frente da maior potência mundial um lunático, esquizofrénico e despótico, com milhões de ignorantes que o apoiam e uma seita à sua volta que acredita nos poderes divinos para vencer a pandemia.

Temos um presidente do maior e mais influente país da América do Sul, também insano e ignorante, mas igualmente iluminado por seitas religiosas, amigo de torcionários e inimigo da democracia e da Amazónia.

Quando coincidem temporalmente Trump, Bolsonaro e uma pandemia, a coisa não pode vir a correr bem. Com um vírus mortal que ambos desvalorizam e querem combater, como crentes fanáticos que são, com a fé e orações, estão reunidas as condições para ser iniciada uma tempestade perfeita, com consequências imprevisíveis, não só para os seus países, mas para a própria Humanidade.

Na Europa ainda não há loucos sintomáticos no poder, mas as consequências do furacão, pode dizer-se que estão no início. E não me refiro às mortes ou à situação sanitária propriamente dita. Não é difícil prever algumas situações que, tanto a nível económico, como social e até político, surgirão depois da crise sanitária. Na Europa foram aplicadas várias estratégias na luta contra a pandemia, vamos ver como a EU vai reagir às outras variantes da crise que aí vem.

A tempestade em Santarém

E Portugal? A perceção geral é a de que as coisas têm corrido razoavelmente e melhor que a média Europeia. Parece que o futuro da economia dependerá muito da EU.

Mas, por cá, também há varias velocidades e o mau tempo não afeta de igual modo todas as regiões. Santarém tem tido a sua própria idiossincrasia onde também foram criadas as condições para uma tempestade perfeita, já com os primeiros ventos iniciados há quase uma dezena de anos.

Na verdade o nosso concelho, antes mesmo da pandemia, foi atingido por um surto, não de uma, mas de várias patologias que têm desbaratado as potencialidades de uma cidade e de uma região.

A incompetência, o laxismo e a ignorância são algumas das causas do estado comatoso em que se encontra a vida de Santarém. A borrasca inicial é completada com a atual pandemia e com um executivo incapaz, completando-se assim as condições para a tempestade, com a qual haverá até a tentação para muitos indefetíveis apoiantes, de justificar a série de fracassos e de aberrações da gestão no concelho.

A cidade, cuja degradação e estagnação, são hoje tão evidentes, como irá reagir depois desta crise?

Quanto tempo irá o Mercado Municipal continuar como uma ruína? Quantas mais vezes irá a EN 114 ser cortada? Qual o futuro do que resta da ex EPC? E do Presídio? E do centro histórico? E dos monumentos fechados? E do Turismo? E do Campo Emílio Infante da Câmara? E da Casa Mortuária? E das pessoas…?

Há algum plano estratégico para Santarém? Claro que não. A gestão do atual executivo, errática e calculista, em que se valoriza o que é banal e se esquece o que é importante, tem como fim primeiro o não perder votantes e nunca estará preparada para um sopro de vento adverso mais forte. A pífia reação à pandemia é disso um exemplo, bem como o desinvestimento de cerca de 1,6 milhões de euros em obras previstas para este ano. Ah, pois, passam para o próximo ano que é ano de eleições.

O futuro nos dirá como o Mundo e Santarém vão ficar depois de uma tempestade perfeita como esta que estamos a viver, mas o otimismo é coisa que não se vê por aí.

Armando Rosa

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