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Não defendamos mais do mesmo!…

Em Opinião

Aos poucos, parece que a nossa vida está a voltar à futura normalidade. Com esta aparente contradição e com “futura normalidade” quero dizer que estamos a entrar no período que será o da normalidade possível no pós-Covid ou, talvez mais propriamente, no período que será o da nossa convivência contínua com este pequeno vírus que nos deu volta à vida.

Na crónica da semana passada questionei se não será cedo demais para fazer o desconfinamento e aliviar as medidas de contenção da forma como isso está a ser feito. Mas, independentemente da minha razão ou falta dela, o facto é que é o que está a acontecer em Portugal e por quase todo o lado. E parece que, para já, sem grandes agravamentos da situação.

Sendo assim, talvez comece a ser tempo de balanços, de também por cá pensarmos e projetarmos o futuro próximo e menos próximo, de repensarmos a forma de conduzir o concelho, definir opções e estratégias, de pôr ou repor Santarém no lugar que lhe é devido.

Não podemos “tapar o Sol com a peneira”, temos de encarar e de aceitar que, ao longo dos últimos anos, Santarém caiu no marasmo, deixou-se ultrapassar por quase todas as restantes capitais de distrito, muitas delas sem qualquer tipo de vantagens competitivas inatas, e por muitas das mais pequenas cidades que nos circundam.

Não vale a pena tentarmos negar que em Santarém não tem havido visão, não tem havido estratégia, não tem havido uma ideia para a cidade e para o concelho.

E se é verdade que muitas vezes aqui tenho criticado a atual gestão camarária e, em particular, o seu presidente, não é menos verdade que esta (des)orientação de Santarém não lhes é exclusiva. O início deste mal vem já de trás…

Santarém tem tudo. Tem uma situação geográfica de centralidade invejável. Tem (por enquanto…) uma linha de caminho de ferro a passar por cá e que liga as duas maiores cidades do país. Tem autoestradas e vias rápidas que a ligam a todo o lado. E tem o Tejo aqui mesmo…

São por isso tempos de planear, de repensar a cidade e o concelho, de tomar decisões estruturadas, de planear e atuar.

As guerras sempre foram seguidas de períodos de reconstrução, a destruição dá aso a que se ponha em prática o que o comodismo e o facilitismo antes não deixavam avançar. Esta é a “guerra” dos nossos tempos, esta é uma outra forma de destruição. Que saibamos aproveitá-la tentando que no médio prazo possamos dizer: “há males que vêm por bem”.

Há que promover a nossa vocação agrícola, inovar a indústria, reinventar o turismo agora adormecido, atrair gentes e trabalho para a zona. A necessidade de maior distanciamento, de evitar aglomerações e zonas densamente povoadas, joga a nosso favor. Mas para ter êxito são necessários incentivos, mas também muito trabalho: “10% de inspiração e 90% de transpiração”, como disse Thomas Edison e Belmiro de Azevedo gostava de referir.

Certo é que, agora mais do que nunca, não podemos nem devemos continuar a dormir, acomodados, não podemos continuar a achar que os problemas são só para os outros resolverem e preocuparem-se com eles. Não podemos continuar a defender mais do mesmo!…

Francisco Mendes

1 Comment

  1. EM VEZ DO MAIS DO MESMO. POE – SE EM CIMA DA MESA : VAMOS FAZER MUDANCAS … PARA TUDO FICAR NA MESMA.
    ISTO SO’ VAI POR DECRETO!!!!

    RB – NORDIC

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