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Passos a dar para melhor conviver com a dor crónica

Em Saúde

A dor significa que algo no nosso organismo não está bem. Temos dores ligeiras a moderadas, são de curta duração, podem aparecer associadas aos chamados males menores, pequenos problemas gástricos, cólicas, entorses, por exemplo.

Perante situações de dor ligeira a moderada e de curta duração há medicamentos não sujeitos a receita médica, a indicação farmacêutica revela-se fundamental para procurar o alívio da anomalia que ocasiona tal dor. Mas há a dor de que padecem os doentes crónicos, vamos supor as doenças reumáticas, as do foro respiratório, as de quem operou ou vai extrair um tumor maligno. Assisti um dia a uma reunião na associação de doentes, a MYOS – Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica, onde me entregaram alguns documentos com uma excelente reflexão sobre o que deve ser uma boa gestão da dor crónica, um género de decálogo: assegure-se que compreende que espécie de problema a dor realmente é, porque se trata de uma doença complexa onde se combinam fatores físicos, psicológicos e neurológicos, envolve uma gama de reações emocionais, incluindo ansiedade, medo e depressão; aceitar que se está doente, não há melhor forma de sequer superar as emoções negativas e encontrar um controlo adequado para a dor com uma combinação correta de contributos de tratamentos médicos, físicos e psicológicos; aprender a assumir o controlo da doença, não resolve de nada culpar os outros, o importante é comunicar assertivamente com o seu médico, praticando estratégias de gestão da dor que podem abranger o exercício regular, o saber relaxar e gerir o stress; para obter tal controlo é essencial uma boa relação de trabalho com o seu médico e com os profissionais de saúde que ele sugerir para tratamentos, caso dos fisiatras; não serve ignorar a dor, a melhor aproximação é de equilíbrio, para querer evitar a dor e fugir à inatividade que pode acarretar depressão; dispor de uma aproximação equilibrada da atividade física, igualmente o apoio e orientação de um profissional de saúde podem revelar-se indispensáveis para tratar dos medos e obstáculos ao longo do caminho; aprender a relaxar e a dormir bem, pois o padrão de sono reparador pode revelar-se essencial para lidar com a dor crónica; saber contar com os outros, ser feliz com a sociabilidade, não há vantagem em lidar sozinho com uma doença crónica que lhe pode roubar quase tudo, desde o amor ao trabalho; habitue-se a não esperar uma compreensão universal, o mesmo é dizer que não podemos pedir às pessoas que não têm dor que nos compreendam em absoluto; e é importante saber perdoar-se a si próprio, pois os sentimentos reprimidos de vergonha conduzem ao ressentimento e emergem mais tarde como raiva, tudo vai melhor perdoando e deixando partir a culpa.

Dito de outro modo, devemos procurar conhecer muito sobre a doença que temos, aprender a conhecer-se bem a si próprio, como pessoa e como doente tem um grande valor para um melhor aproveitamento dos recursos físicos, psicológicos, espirituais, sociais e terapêuticos; quem procura conhecer a doença de que padece descobre os benefícios de poder reduzir a emocionalidade negativa, e de assumir compromissos de tratamento, na gestão que vai facilitar a reorganização da vida, com uma melhor mobilização de recursos e até uma maior disponibilidade para cuidar de outros, sejam eles doentes crónicos ou portadores de deficiência. Não se iluda, saber ultrapassar a dor crónica é uma decisão grave, mas não há outra tão importante na sua vida como esta.

Mário Beja Santos

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