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Gerardo Pedro, diretor de conteúdos e dirigente nacional do Chega, demite-se do partido

Em Sociedade

O empresário de Santarém Gerardo Pedro, dirigente nacional e diretor de conteúdos do partido Chega, comunicou a André Ventura, esta sexta-feira de madrugada, a decisão de se demitir do partido .

“Tive de me demitir”, disse Gerardo Pedro ao MAIS RIBATEJO, justificando a decisão com “ameaças de morte”. O empresário de Santarém insiste em desmentir qualquer responsabilidade na criação de perfis falsos, enquanto diretor de conteúdos e gestor das redes sociais do Chega . “Nunca o fiz”, volta a garantir ao MAIS RIBATEJO.

“Avisei André Ventura da minha decisão às 4 da madrugada, após ter recebido ameaças de morte a mim e à minha família, e que me levaram também a apagar a minha página no Facebook”, declara Gerardo Pedro, salientando que a a saída do Chega é “irreversível, não há volta a dar”.

Recorde-se que a revista Visão revela na sua edição desta quinta-feira que o partido Chega, de André Ventura, tem mais de 20 mil perfis falsos nas redes sociais para aumentar o alcance dos seus conteúdos. E segundo revelou a “Visão”, o responsável executivo pela intervenção do CHEGA na internet é Gerardo Pedro, líder da empresa Kriamos de Santarém, sendo ele o responsável pela “produção de conteúdos” e a gestão das redes sociais do partido.

A VISÃO ouviu também o diretor de uma agência de consultoria estratégica digital e monitorização de redes cuja carteira de clientes inclui grandes empresas e organismos governamentais alerta para os fatores que contribuíram para o sucesso do Chega nas redes sociais, direta ou indiretamente associados ao partido e aos seus apoiantes. “É uma atuação típica de força militar. Os exércitos digitais do Chega são extremamente organizados e eficazes a replicar conteúdos”, explicou, referindo ter detetado perto de 20 mil perfis falsos.

Baseada na investigação da Visão, a notícia que o MAIS RIBATEJO ontem publicou, causou desagrado a Gerardo Pedro. Isto porque nega ter criado perfis falsos: “Nunca o fiz. Se alguém o faz, é condenável e está a prestar um péssimo serviço ao partido”, afirma indignado Gerardo Pedro. “Devo ao MAIS RIBATEJO esta situação e a minha demissão, pelo facto de me associarem à criação de milhares de perfis falsos”.

Já hoje, o empresário de Santarém, de 37 anos, confirmou à Visão a sua demissáo do partido, na sequência das ameaças telefónicas recebidas, “algumas feitas por pessoas que conheço, outras anónimas”.

“O meu papel foi sempre o de criar conteúdos. Nem sequer sou eu que os distribuo. Faço-os chegar a outros dirigentes, nomeadamente ao Ricardo Regalla e à Lucinda Ribeiro, e a distribuição é feita por eles. A partir daí, já não é comigo”, explicou à Visão.

Gerardo Pedro admite à revista ter detetado “um ou dois perfis falsos” ao longo deste tempo, sem ter dado grande relevância ao facto. Mas desmente qualquer ligação a esse tipo de procedimentos. Considera que o trabalho com o Chega “estava a correr bem, com muitas visualizações e partilhas, sem precisarmos de recorrer a esse tipo de métodos, que considero reprováveis. Se dirigentes do partido ou outras pessoas, em nome do Chega, o fazem, desconheço, mas não quero o meu nome associado a isso”, salienta.

O dirigente disse à VISÃO que não obstante a gravidade das ameaças recebidas, recusa fazer queixa à polícia. “Sei quem são algumas pessoas e, se as denunciasse, a minha vida num meio pequeno como Santarém seria um inferno. E não posso dizer mais do que isto, peço desculpa”, justifica Gerardo Pedro.

“Aderi ao Chega por convicção, mas não quero ser associado a coisas que nunca fiz e reprovo. Limito-me a criar conteúdos sobre a atividade e as mensagens do partido. O que fazem com isso, como divulgam, nunca foi da minha responsabilidade. A partir deste momento, estou fora. Quero trabalhar e ter uma vida tranquila. E a vida continua”, conclui.

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