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Que “jogos” de interesse há nas obras em Santarém?

Em Opinião

Posição de princípio: uma melhoria é sempre positivo.

Mas há coisas estranhas, que não se entranham…

Para quem não tem a memória curta, para quem pensa perguntas, os porquês, há coisas que não batem certo. Quero falar-vos das obras de requalificação da Avenida António dos Santos no custo de 2.226.490,00 euros + IVA [ver aqui a notícia].

Cresci no bairro do Pereiro. Passei nesta avenida milhares de vezes. Vi a “morte” da serração, do armazém de vinhos, das oficinas, dos armazéns Beja, das casas térreas que foram sendo abandonadas e foram caindo…

Vivi, brinquei, joguei e organizei festas de S. João no largo do cemitério, Largo dos Capuchos, vi o declínio lento e sem socorro da Rua Tenente Valadim…

Pergunto, como se eu não vivesse em Santarém há 55 anos:

1. Qual o valor de uso e sustentabilidade para um plano de requalificação de uma avenida sem se saber – pelo menos publicamente – qual o plano para os imensos edifícios em ruína?

2. E sem saber o que se quer para espaços nucleares como são os antigos, hoje térreos, dos antigos armazéns do vinho e Beja?

3. E sem inserir a requalificação da Rua das Esteiras, que está em completo abandono e ruína e é uma rua fundamental para quem vem do lado da biblioteca / Igreja da Graça ou do centro da cidade?

4. Não foi insensato terem posto tarifado o estacionamento na avenida, em tudo o que era recanto, inclusive no próprio largo do cemitério?

E para que se perceba bem: nesta cidade, quer PS quer PSD, abandonaram o urbanismo à anarquia e ao dogma da iniciativa/abandono privado.

Há outras perguntas nucleares que importam fazer?

5. Como foi possível deixar construir um centro comercial no centro da cidade, o W Shopping, quando os prédios da Rua Pedro de Santarém já encurvavam à direita para entroncar na Av. António dos Santos?

6. Os poderes autárquicos não perceberam, ou fingiram não perceber, que estavam a criar um problema de circulação pedonal e rodoviária, de perturbação no acesso à Rua João Afonso e bloqueamento definitivo de uma solução mais atrativa e de uso comum pela comunidade autorizando um W Shopping pelo menos com aquela dimensão?

7. Como foi possível deixarem construir os edifícios Valle dos Reis com um bico a “entrar” dentro da Avenida António dos Santos que quase bloqueia passagem de peões e de viaturas desde o Micas, ao acesso ao infantário, à Travessa de S. Brás e parte descendente da avenida?

8. Como é possível que não haja um ou mais Planos de Pormenor, pensado com tempo, partilhado e discutido com as pessoas que lá vivem, trabalham ou têm os seus pequenos negócios, para o Pereiro pelo menos para a zona mais próxima do cemitério?

Talvez as respostas às perguntas indiciem uma nova pergunta: estava algo por detrás da insistência camarária em que o crematório fosse PRIVADO?

Dogma político ou é incompetência a mais?

Vítor Franco

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