fbpx

Mudanças que vieram para ficar…

Em Opinião

Hoje vou fazer de conta que não tenho já qualquer receio de que os números de vítimas da pandemia possam retroceder (quero dizer aumentar) com o desconfinamento quase total que estamos a viver e com um mínimo de medidas de proteção que estão a ser prática, não tanto pelo aliviar das normas legais que ainda existem mas, porque, pelo menos na cabeça de muitos de nós, o perigo já passou e tudo pode voltar ao normal à exceção de termos de andar mascarados aqui e ali, não muitas vezes porque até tem estado calor e as máscaras não nos tornam a vivência nada agradável…

Vamos por agora acreditar que estamos no bom e no acertado caminho.

E há mudanças que vieram para ficar, para fazer parte da nossa vida. E muitas dessas mudanças são boas, outras nem tanto.

Muito mau, mas que não é o que aqui queria hoje partilhar convosco, é obviamente, para além, da saúde ou falta dela para muitos, a situação de dificuldade económica que quase todos começamos a viver e viveremos nos próximos tempos, que só temos a esperar que não seja demasiado morosa.

Na parte ambiental há vantagens evidentes, umas que perdurarão, como falaremos adiante, e outras passageiras, função do confinamento e da desaceleração económica, de que muito se tem falado. Mas também se vão verificar retrocessos relevantes ao nível da reciclagem e do uso do plástico em copos, garrafas, etc. Estava-se no bom caminho para usar o vidro ao invés dos materiais descartáveis, o que agora se torna mais difícil. E isto para não falar dos milhões de máscaras e luvas que vão entupir os nossos aterros, por não poderem ser recicladas. Há aqui também que inovar porque esta situação não será ambientalmente sustentável e, não vamos voltar a ser ingénuos ao ponto de acreditar que, mesmo que, entretanto, haja tratamento e/ou vacina para o Covid, não virão outras pandemias diferentes para nos fustigarem.

Mas há mudanças positivas que parecia estarem à espera de algum impulso compulsivo para serem postas em prática. Quase sempre só fazemos alterações mais ou menos radicais nos nossos hábitos, nas nossas formas de agir, quando a isso somos compelidos, por vezes mesmo obrigados a vencer a inércia e o comodismo de tudo deixar na mesma. Só assim aceitamos essas alterações.

O teletrabalho é o exemplo mais óbvio. Há muito que nisso se falava. No entanto, poucas empresas o tinham sequer testado. Agora verificou-se que em muitas situações, em muitas tarefas e profissões, se pode trabalhar em qualquer local, nomeadamente e por maioria de razão, em casa. E mais, com redução drástica de despesas para empregados e empregadores e com enormes vantagens em termos de menor poluição ambiental. Isso implicará certamente também que as pessoas que vivem nos grandes certos urbanos comecem a encarar a possibilidade de se mudarem para locais mais distantes desses mesmo centros, certamente com melhor qualidade de vida, o que pode vir a constituir um fator de ajuda ao desenvolvimento para os municípios que o saibam aproveitar.

Aliado a estas necessidades, já estamos a ter e vai ter de se intensificar o desenvolvimento de técnicas, programas, aplicações para computadores, telemóveis e afins, que facilitem esta nova forma de viver.

Outra opção, que não se tem querido implementar e sobre a qual se tem ao longo dos últimos anos levantado toda a espécie de entraves, é o voto eletrónico. Certamente que agora essas supostas dificuldades serão ultrapassadas. Já não fazia qualquer sentido, e agora ainda faz menos, que não seja possível nas eleições nacionais, locais ou europeias, votar em qualquer sítio em que nos encontremos e que, para o fazer, tenhamos de nos deslocar a um local, por vezes com filas extensas.

Foram alguns exemplos de entre mais possíveis…

Francisco Mendes

1 Comment

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Recentes de Opinião

O taumaturgo

Na Idade Média os reis aumentavam a sua aura e poder porque…

O equívoco

Na década de sessenta do século passado a então existente editora Delfos…

Ir para Início