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Morreu o poeta António Lúcio Vieira

Em Sociedade

O poeta ribatejano António Lúcio Vieira, de 78 anos, faleceu na passada quinta-feira em Torres Novas informou hoje a diretora editorial da Médio Tejo Edições, Patrícia Fonseca.

“É com profundo pesar que comunicamos a morte de António Lúcio Vieira, uma das mais importantes vozes da poesia contemporânea do Ribatejo. Nascido a 24 de janeiro de 1942 na vila de Alcanena, vivia em Torres Novas desde os tempos de estudante e aí veio a falecer, sentado no cadeirão onde passava longas horas a ler e a escrever, no passado dia 04 de junho”, escreveu em comunicado.

‘En Volvimento’, edição de autor, publicado em 1974, foi o primeiro livro de poesia publicado por António Lúcio Vieira.

Em 1997 foi distinguido pela Casa do Ribatejo com os diplomas de Mérito e de Louvor e, em 2015, recebeu a Medalha de Ouro de Mérito Cultural do Município de Alcanena.

Em 2017 venceu o Prémio Literário Médio Tejo Edições, na categoria de poesia, com a obra ’25 poemas de Dores e Amores’.

Ao longo da carreira António Lúcio Vieira foi poeta, dramaturgo, encenador, argumentista, investigador, letrista, contista e jornalista, tendo sido redator principal do jornal ‘O Almonda’, de Torres Novas.

António Lúcio Vieira, numa homenagem na Casa-Memória de Camões, em Constância. Créditos: Médio Tejo Edições
“António Lúcio Vieira era um homem de múltiplos talentos, que dedicou toda a sua vida à arte da escrita”, escreve Patrícia Vieira. Foi jornalista, dramaturgo, escritor – mas “era, acima de tudo, um poeta, um homem de sentimentos e ideais à flor da pele”.
“Problemas de saúde que se vinham agravando nos últimos anos impuseram um ponto final numa vida que, apesar de longa, não foi suficiente para revelar ao mundo todos os monumentos em forma de palavras que lhe nasciam nos dedos, a cada madrugada”, refere a diretora editorial da Médio Tejo Edições.
Para Patrícia Fonseca, “talvez tenha sido o maestro Pedro Barroso quem melhor soube definir quem era António Lúcio Vieira: “Um homem que vive ele próprio, dia a dia, em poesia”, um homem “agitado convulso impulsivo desordenado, tudo assim mesmo – sem vírgulas”.
sua obra permanece também ela desordenada, publicada de forma dispersa ao longo das décadas, e muitos textos estão ainda inéditos. A dispersão da obra não ajudou a alcançar o reconhecimento que lhe era devido, mas nos últimos anos havia cada vez mais leitores a descobri-lo, depois de em 2017 ter sido distinguido com o Prémio Literário do Médio Tejo, na categoria de Poesia, com o conjunto de poemas inéditos revelados no livro “25 Poemas de Dores e Amores” (Médio Tejo Edições / Origami Livros), lançado na Feira do Livro de Lisboa, em 2018.
Coube ao presidente da Associação Casa-Memória de Camões, António Matias Coelho, o privilégio de ler esses poemas em primeira mão, como responsável do júri do Prémio Literário do Médio Tejo na categoria de Poesia. Matias Coelho recorda que entre as “centenas” de poemas que leu, houve um que o “tocou particularmente” por ser “tão perfeito, tão intenso”. Tratava-se de “Melopeia para uma longa negra noite”, que contrabalança a “imensa tristeza” e a “amargura” com uma força “enorme” e “tocante”, levando-o a conhecer “não só um poeta maior, mas também um poeta maduro com conhecimento profundo da vida” e domínio das “técnicas”.
Como escreveu Pedro Barroso no prefácio desses 25 Poemas de Dores e Amores, “a vida nunca lhe outorgou o mérito e o proveito, nem os privilégios de arautos ou arengadas panaches das passadeiras do celestial encanto. Nem os prémios nem os respeitos e dividendos. Frágil cultura – ingrata lavoura, a das palavras.”
A Médio Tejo Edições estava a ultimar a publicação de um conjunto de peças de teatro que António Lúcio Vieira escreveu para estudantes, com ilustrações de Graça Martins. Tudo faremos para que esses textos possam ser editados e levados a cena, alimentando nos mais novos a paixão pelo teatro que nunca esmoreceu no peito de António Lúcio Vieira.
“Foi uma honra editá-lo, e tê-lo como amigo. Lamento muito que tenhamos de interromper os nossos sonhos peregrinos, “por motivos de força maior”, conclui a editora.

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