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Teatro Rosa Damasceno: O espelho de uma cidade

Em Opinião

A história recente do Teatro Rosa Damasceno já muitos a conhecem: Em 2001 foi lá realizado o último espetáculo, concerto de Maria João e Mário Lajinha; em 2002 foi classificado edifício de interesse público; em 2004 mudou de dono, passou do original proprietário (Clube de Santarém) para a empresa do Eng. Rosa Tomás (Enfis); em 2007 foi todo o seu interior comido por um incêndio de causas desconhecidas. Era, na altura frequentado por toxicodependentes e marginais que degradaram ainda mais o seu interior.

Um baluarte da cultura e do entretenimento em Santarém.

Esta é a história recente, mas as boas lembranças do que foi o TRD são muitas, as dos que o frequentavam para ver o cinema que por cá passava e outros eventos. Nas suas memórias, recordam-se o Festival Internacional de Cinema, as peças de teatro, as récitas dos estudantes, , os comícios do MDP/CDE e sei lá mais o quê. A história do TRD foi um marco de extrema importância para a cultura e para a intelectualidade do antes e do pós 25 de Abril.

Face ao seu estado atual, não vejo como poderemos voltar à sua utilização original. Por variadíssimas razões: os incomportáveis custos da sua recuperação como sala de espetáculos; as acessibilidades e dificuldades de estacionamento; a sua sustentabilidade como sala de espetáculos naquele local sem a ajuda dos dinheiros públicos. Não estou a ver que tipo de oferta (comercial, cultural ou outra) poderia lá sobreviver. Quem sabe se Arquivo, Biblioteca, Museu…Municipais?

Uma nódoa no local mais turístico da cidade.

Mas o que me levou a escrever sobre o TRD, para além de lembrar aos mais novos a sua importância na história da cidade, foi a agressão estética que o seu estado atual representa para todos os escalabitanos, em especial, para os passantes. E não é tão pouca gente assim. Qual é a sala de visitas de Santarém? O jardim das Portas do Sol. Certo? Pois no trajeto os nossos visitantes deparam-se com este degradado edifício, assim destruído e visível a todos, já vai para treze anos. É obra. Melhor dizendo, falta dela. Do outro lado o Teatro Taborda, outro edifício histórico de Santarém, que, honra lhe seja feita, é o único da zona que tem alguma utilidade pública, apesar de gerida por entidade privada. A zona de maior concentração monumental da cidade está decrépita, moribunda e quase invisitável.

O que pensará um visitante que vem às das Portas do Sol, visita a Igreja da Graça e passa pela igreja de S. João do Alporão e pelo Cabaceiro, (ex-Museu do Tempo), ambos fechados e logo a seguir, se depara com este triste espetáculo? Que promoção turística é esta?

Pelo menos que se esconda a vergonha.

Atualmente existem meios técnicos para esconder com dignidade esta vergonha. São utilizadas em muitas obras de cidades com gestões que se importam, lonas reproduzindo fotograficamente o traçado original dos edifícios. Isso é utilizado por muitas empresas e em edifícios públicos. Se o executivo não sabe ou não pode alterar a situação administrativa, não seria de impor essa obrigação ao próprio proprietário?

Vão começar as obras na Av. 5 de Outubro e o TRD continua naquele estado?

Manuel Rezinga

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