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Faz hoje 5 anos que caiu um pináculo da Torre da Trindade

Em Opinião

Faz hoje 5 anos que caiu um pináculo da Torre da Trindade, pertencente ao antigo Convento da Santa Trindade de Santarém, dentro das instalações da Escola Prática de Cavalaria – lugar nobre da Liberdade.

Cinco anos depois não há notícias de reparação e melhoria. Cinco anos!

A torre setecentista merece uma atitude positiva e pró-ativa. Ela é a memória final de um convento extinto em 1834 e demolido com a sua igreja em 1955. Ela é o que resta da Ordem da Santíssima Trindade e dos mais de 280 frades trinitários em Santarém, onde se instalaram em 1208. A memória histórica de uma cidade é constitutiva de uma identidade, de um património e de uma educação social.

A identidade de Santarém é plural, mas é identidade. A unilateralidade dogmática no touro e no campino, ou na tourada, não corresponde à história plural dos que cá viveram; nem a massiva propaganda o consegue fazer.

A política cultural da Câmara Municipal de Santarém provoca a sua permanente sobreposição sobre a história e a memória da cidade. Ofuscando o património também se ofuscam responsabilidades políticas, privilegiando uma política acultural à Moita Flores também se ofuscam e diminuem os agentes e ativistas locais da cultura e da cidadania. “Pão e circo” era como os imperadores romanos iludiam o povo!

Foto: Luís Perdigão

Seria interessante comparar os custos de certos concertos com os da reposição do pináculo caído em desgraça. Não tenho uma visão unilateral sobre a cultura, mas desgosta-me ver a ruína em que se vai transformando o centro histórico.

É com tristeza que escrevo estas linhas – mas elas são necessárias!

Há dias fui tirar fotos ao centro histórico para fazer um pequeno artigo de divulgação turística da cidade; não imaginam a dificuldade em fotografar o Cabaceiro, de um lado está a casa do Relojoeiro que a Câmara de Santarém deixou ruir, do outro o monumento está vandalizado por grafitis.

É nestes momentos que se avivam memórias e exemplos passados. Quando visitei Toledo fiquei apaixonado pela obra do pintor El Greco. Um dos seus quadros mais interessantes é “Vista de Toledo”…

Imagino o artista das figuras esguias, o artista que “busca capturar a essência da cidade em vez de documentar sua aparência real” a pintar Santarém: também lá estariam as colinas, a ponte romana de Alcource ali na Ribeira de Santarém, o castelo das Portas-do-Sol-sem-flores, a abandonada Torre das Cabaças e a Torre da Trindade mais inclinada que a de Pisa… Tudo esguio, como que se contorcendo com dores – não as do tempo que têm mas as da tristeza!

Cito Luís Perdigão em comentário às suas fotos do pináculo caído, que partilho e credito:

Aqui! No alto da Torre da Trindade, de onde um bando de pombos malfeitores e vingativos ou extra-terrestres contratados pela oposição o fizeram despencar! Felizmente, sem danos humanos a registar. Fica, desde já, inaugurado o relógio decrescente para a reposição da coisa e que até lá não nos doa nada!

Fez hoje, dia 16-06-2020, cinco anos!

Vítor Franco

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