fbpx

No dia de São Nunca à tarde

Em Opinião

Dizia na minha crónica de há duas semanas que aquela esperança de mudança mais profunda nas gentes e nas suas atitudes, mesmo que moderada e cheia de interrogações, que eu tinha no início da “Era Covid” já não está assim tão empolgada na minha mente. Tenho agora a sensação de que estamos de novo a pensar que tudo está a voltar ao que era, que, mais dificuldade, menos dificuldade, a nossa vidinha de sempre está a voltar…

Talvez isso seja só uma impressão minha! Esperemos que sim, porque, caso contrário, não teremos aprendido nada nem nos teremos mudado para melhor em quase nada também.

Falava a nível geral do país e do mundo. Mas as minhas dúvidas e receios põem-se também relativamente a Santarém e a quem a governa. Irá continuar esta cidade e o seu concelho no marasmo de sempre, no adiar dos problemas e do início e, mais ainda, do concluir de variadas anunciadas obras?! Continuaremos a ter uma Câmara Municipal que decide dia a dia, pontualmente, sem qualquer estratégia e sem qualquer ideia estruturada?!

Estes meus temores põem-se mais ainda desde ontem, depois de ter recebido uma comunicação proveniente da Câmara Municipal onde é dito:

Considerando o estado de emergência que o País atravessou e em virtude da dramática e repentina nova realidade em que nos encontramos, verificou-se anecessidade da redefinição e reajuste aos prazos anteriormente estipulados,para a concretização do estudo preliminar e proposta de intervenção para a requalificação do Campo Infante da Câmara.

(…)Face ao exposto, informo que estamos em condições de apresentar o resultado das análises e diagnósticos para o Campo Infante da Câmara nos próximos meses, garantido assim que as discussões públicas que são ponto fundamental para a definição da proposta, se consigam realizar com a máxima segurança.”

Ou seja, mesmo depois de em 05.jul.2018 ter sido aprovada na Assembleia Municipal por larga maioria (62,2%) uma Moção que previa que o estudo prévio do projeto para o Campo Emílio Infante da Câmara estivesse concluído até final de 2018 e também depois de ter sido aprovada por unanimidade também na Assembleia Municipal e em 19.out.2018 uma Proposta que definia as linhas orientadoras consensualizadas a que o estudo deveria atender, com facilidade se torna tudo isso num projeto sem prazo. Poder-se-ia definir um novo prazo mais alargado, mas definido, para a concusão do estudo, mas não, deixa-se a coisa em aberto, sem tempo determinado para que se possa eternizar. E a culpa é de quem?! Da pandemia…

Mas a ex-EPC é também um exemplo paradigmático do que exponho – continua e continuará uma amálgama de ocupações sem qualquer definição de objetivo para o espaço.

E há mais, muito mais… Mas vou só referir o Presídio, há muito em risco eminente de derrocada e o Mercado Municipal que já mais parece uma ruína do que uma obra em curso, que está a menos de 2 meses do prazo de conclusão previsto e ainda só foi alvo de demolições, com derrapagens no valor previsto para a obra, resultantes de um projeto mal elaborado e, mais uma vez, de decisões pouco pensadas. E não posso não falar também do previsto Museu de Abril e dos Valores Universais (MAVU) que parece que será uma realidade no “dia de São Nunca à tarde”!

Não quis durante o período crítico da pandemia voltar a batalhar nestes e noutros importantes temas, como há muito faço e repito, quer em crónicas e textos de opinião, quer na Assembleia Municipal. Mas parece que já quase todos acham que a fase pior já passou, no que espero duvidando que tenham razão. Assim, é hora de voltar a batalhar para que algo evolua e se concretize por estes lados!…

Francisco Mendes

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Recentes de Opinião

Ir para Início