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Manifestação em Cáceres. Foto: Movimento ecologista do Vale de Santarem

Almaraz: “brincar” com a vida de milhões de pessoas!?

Em Opinião

O leitor está disposto a arriscar a vida para dar maiores lucros à Endesa, Hiberdrola e Naturgy?

A pergunta pode parecer dramática, pelo que é bom racionalizar.

Comecemos pelo que aconteceu em Chernobyl no dia 26 de abril de 1986. O acidente no reator 4 produziu uma libertação imediata, para a atmosfera, de milhões de partículas radioativas 500 vezes mais do que uma bomba nuclear Little Boy que destruiu Hiroshima.

Repare: Um kilotonelada são 4,184×1012 Joules, multiplique por 16 KT, a potência da bomba Little Boy, agora multiplique por 500. Em sentido muito figurado o leitor “quase caía dentro do sol”. Mas o problema ainda nem é esse, sabia?

O problema é que o sol funciona em fusão de núcleos de hidrogénio, daí a palavra nuclear, enquanto um reator nuclear funciona em fissão nuclear. Na fissão nuclear [ver imagem] o núcleo de um átomo é bombardeado por neutrões originando uma separação da matéria do núcleo que liberta muita energia e muitos resíduos radioativos.

Acresce que a radioatividade pode durar até mil anos e a central nuclear de Almaraz é arrefecida pelo rio Tejo.

Agora imagine um acidente com libertação de radioatividade para o Tejo em Almaraz. Quantos milhões de pessoas ficariam proibidas de viver nas suas margens, ou tão só de beber água ou tomar banho? O leitor, ou leitora, quereria comer um tomate ou uma alface regada com água radioativa? Acresce que a água do Tejo também alimenta lençóis freáticos, dezenas ou centenas de milhares de captações de água e liga-se a outros rios e ribeiras que dão vida a todo um ecossistema e vida natural do qual a nossa vida depende: a Bacia Hidrográfica do Tejo.

Agora sabe que os acidentes na Central Nuclear de Almaraz se sucedem constantemente? Até agora, com consequências controladas… Até agora!

De 22 a 27 de junho a central de Almaraz teve avarias sérias que levaram até ao disparo [como se na sua casa se desligasse um disjuntor do quadro por um curto-circuito] do grupo dois.

Eu já estive numa grande manifestação em Cáceres pelo encerramento desta central nuclear que fica ali “ao virar da fronteira”.

O Movimento proTejo e uma vasta rede de movimentos ambientalistas têm vindo a protestar pela manutenção deste perigo como pode ser lido aqui. Hoje o PAN defendeu o encerramento da central e já ontem a deputada scalabitana Fabíola Cardoso, do BE, questionou o ministro do Ambiente como se pode ler aqui, e coloca perguntas muito pertinentes ao governo, entre elas algumas que é bom serem do domínio público:

1. Como avalia o Governo os incidentes ocorridos na central nuclear?

1.2. Em caso de acidente, existe algum plano de evacuação das populações dos distritos de Castelo Branco, Portalegre e Santarém? Se sim, em que consiste?

2. O Governo foi informado, pelo seu congénere espanhol, sobre o processo de renovação da licença de exploração da central nuclear de Almaraz até 2028?

2.1. Em caso afirmativo, que garantias de segurança foram dadas pelo Governo espanhol?

2.2. Em caso negativo, o Governo português solicitou esclarecimentos, junto do seu congénere espanhol, sobre o processo de renovação da licença de exploração da central nuclear de Almaraz até 2028? Quais?”

Se a resposta do governo for a habitual, na comprovada impotência do ministro do Ambiente, será útil irmos todos e todas pensando em fazer algo mais visível para proteger o nosso futuro e dos nossos filhos!

Vítor Franco

Um filme sobre Chernobyl: https://youtu.be/4S7KsKC87IA

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