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Farroncas de leão, saídas de sendeiro

Em Opinião

E, o ministro Malhador rugiu: vamos retaliar. Os ingleses, temerosos, mas teimosos, colocaram os elmos, afiaram as espadas mais uma vez e, esperaram. Nada aconteceu, sabemos, isso sim, que António Costa ordenou a Santos Silva a imediata devolução ao Museu da Marinha da farda de Almirante em chefe, obrigando-o, a de seguida, mascarar-se de cordeiro a balir recordações de secular aliança, de permanente vassalagem, das exportações de vinho generoso, sem esquecer os mariscos, os peixes e praias algarvias, não no sentido do corte de mangas: querias? Toma o manguito!

A pandemia tem evidenciado os nossos tiques de farronca, não sendo tique recente, antes pelo contrário, fomos os melhores alunos da Europa, estancámos a peste ensinando os indígenas de todos os continentes, recebemos o prémio da final da taça dos campeões, tudo correspondia superior entendimento do governo e, uma rajada de vento fez voar os castelos de areia nos areais desde Mole a Vila Real de Santo António, levando-nos a mendigar consolos, a chorar lágrimas de estupor, a sussurrarmos desculpas nuas e cruas de perdão pelas farroncas de sendeiro ruim e na penúria.

Não vale a pena lembrar obras literárias a condenar a nossa mania das grandezas, vale a pena pensarmos no nosso futuro pós pandemia, as grandes nações de uma forma ou de outra hão-de mascarar as dificuldades até as superaram, nós nação pequena e periférica não vamos conseguir o estatuto de frugais, o de famintos é forte possibilidade. Estamos tramados!

Armando Fernandes

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