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Não havia necessidade…

Em Opinião

A pandemia obrigou a escola a reinventar-se em tempo recorde. Em três semanas, milhares de estudantes voltaram às aulas sem sair de casa. Professores, pais, alunos terminaram este ano letivo a tratar por tu o Webex, o Zoom, o Cisco, o Team, o Skype e todo um admirável mundo (novo, para muitos) das plataformas de comunicação online. O país inteiro começou a falar de aulas e reuniões síncronas e assíncronas como se sempre tivessem sido palavras usadas ao pequeno-almoço.

Houve fragilidades, claro. Todos tiveram de aprender a comunicar, trabalhar, gerir tempo e pessoas à distância e, de uma forma geral, professores, pais e alunos estão de parabéns.

Terminado o ano letivo, não terminada a pandemia, está tudo em aberto: aulas presenciais, aulas não presenciais, um modelo misto, um sem-fim de variáveis: só alguns anos, só algumas turmas, só algumas disciplinas, só alguns alunos, só alguns horários, só algumas escolas, etc. etc. Será preciso decidir as linhas com que se vão coser milhares de professores, milhões de alunos. O próximo ano letivo é um livro em branco que a evolução da pandemia irá ajudar a escrever.

E com que estão preocupados os partidos da oposição? Da esquerda à direita? Com os manuais escolares. Com o argumento de que, em setembro, tem de haver “condições para a recuperação das aprendizagens dos alunos”, o CDS aproveitou a votação na especialidade do Orçamento Suplementar – e convenceu toda a oposição – que, para aprender a matéria em falta (quando for o caso), é fundamental suspender a devolução dos manuais que entretanto tinha começado.

A devolução arrancou a 26 de junho e, a 30 de junho, o Parlamento aprovou a suspensão enquanto as escolas continuaram a receber os manuais escolares; a 3 de julho, o Parlamento (com os votos contra do PS) aprovou a medida na generalidade, enquanto as escolas garantem que o processo de devolução continua; a 6 de julho, as ordens mudaram e afinal, os livros não são para devolver e os pais que já o fizeram devem contactar as escolas para os recolher de novo.

Tudo isto com dias e horas marcados. Para devolver. Para voltar ir buscar.

Com a pandemia, as estruturas de ensino – à distância ou não – estão criadas através de recursos disponíveis online e da entrega direta aos alunos sem internet: os conteúdos em falta podiam ser dados sem os manuais. Na relação custo/benefício, valeu a pena obrigar o ministério a arrepiar caminho neste fase?

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As escolas não precisavam disto agora.

Este foi o primeiro ano em que todos os alunos, do 1.º ao 12.º ano, tiveram direito a manuais escolares gratuitos, frequentassem o ensino público ou privado. Um encargo de 150 milhões de euros para os cofres do Estado.

Os contribuintes não precisavam disto agora.

Havia necessidade? Na minha opinião, não.

Ana Galvão

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