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Santarém, a capital do excel

Em Opinião

Temos sido brindados pelo executivo municipal de Santarém nos últimos anos com os argumentos técnicos de “boas contas” uma gestão exemplar, que paga a fornecedores a 1 semana pelo menos, segundo fonte da autarquia, curiosamente Almeirim paga a 2 dias, o que não é novo no processo de perda de capitalidade de Santarém.

Mas será tudo assim tão bom? Relembro que falamos de um executivo de um partido que prometia pagar a dívida em 100 dias e que em vez disso nos trouxe o PAEL (programa de apoio a economia local, a troika das autarquias) e que não conseguiu manter a Unicer na zona industrial de Santarém1.

Os orçamentos têm sido meros documentos contabilísticos , fazendo propaganda da execução orçamental com pouco desperdício, e um bom aproveitamento de fundos comunitários, mas sem rumo, até porque já percebemos que a autarquia não o tem, ora é o “cluster da saúde”, ou expressões redondas e vazias de conteúdo como “apostar em projetos que garantam a competitividade, o empreendedorismo, a educação de excelência, a inclusão, a redução das desigualdades e a sustentabilidade”2, uma gestão contabilística que podia ser feita por um gestor de insolvência.

O Concelho de Santarém perdeu quase cinco mil habitantes em oito anos (dados da PORDATA que comparam os anos de 2010 e 2018 e ainda não têm o impacto da covid-19 3).

A tal folha limpa de excel, não impede a “sangria” de jovens, de um concelho cada vez mais morto, e envelhecido, a cidade fantasma, onde os espaços verdes são calcetados para não estragar a rubrica da jardinagem… (veja-se o caso do “jardim” da liberdade, que é mais calçada do que espaço verde).

Em relação a investimentos, qual o último grande investimento gerador de emprego que se lembram em Santarém? Parece que foi o Continente e já lá vão alguns anos, algo que também não nos deve preocupar porque agora vamos todos ser empreendedores e ter o auto-emprego como modelo, alìás um modelo de grande sucesso nos países desenvolvidos como o Bangladesh… e depois podemos fazer turismo da saúde quiçá em hospitais privados construídos em locais que obrigam a revisões do PDM à medida, ou redefinindo o conceito de “turismo”… ou seja temos o pior dos 2 mundos, uma autarquia de impostos altos (ainda que com uma pequena redução recente), que não cativa investimento de qualidade e empurra a população para outros concelhos, a emigração e o auto-emprego.

Santarém é a única capital de Distrito sem um grande polidesportivo na sede de concelho, parece que não é relevante para quem nos governa.

Continuamos a ter uma gestão para as empresas e não para as pessoas, uma resposta menos solidária que outros concelhos do distrito inclusivamente Rio Maior que isentou da tarifa fixa de água todos os munícipes 4 , curiosamente até do mesmo partido que o atual executivo, até nisso parece que os escalabitanos têm azar…

Em suma, verificamos que na capital do excel, não há quadrícula para o rio (seus afluentes e sua centralidade no desenvolvimento do concelho), para fixar os jovens, nem um rumo estratégico, há apenas espaço para “contas frugais” que garantam a reeleição sem grande esforço e agradem aos empresários, fazendo propaganda com obras agendadas na sua maioria com fundos europeus, ou seja qualquer gestor o faria, temos um gestor de insolvência e não um edil, infelizmente para todos os escalabitanos.

Luís Martinho


1    https://observador.pt/2015/10/08/unicer-fecha-fabrica-de-refrigerantes-em-santarem-e-despede-70-trabalhadores/

2    https://www.cm-santarem.pt/apoio-ao-municipe/noticias/item/3168-camara-de-santarem-aprova-orcamento-de-61-5-milhoes-de-euros-para-2020

3    https://www.pordata.pt/Municipios

4    https://maisribatejo.pt/2020/03/31/municipio-de-rio-maior-aprova-isencao-de-tarifas-no-concelho/

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