fbpx

Golpe de Estado nas freguesias do concelho de Santarém

Em Opinião

O título pode-lhe parecer polémico, mas foi isso que aconteceu em julho de 2012 quando o PSD impôs a objetiva extinção de freguesias.

Fê-lo de forma antidemocrática, sem referendos por parte das freguesias a extinguir e contra a vontade das pessoas e da maioria das Juntas e Assembleias de Freguesias.

A ação foi cirúrgica, o objetivo foi o de “capturar” Juntas de Freguesia para o PSD, como é evidente nos casos de Vale de Figueira e Vaqueiros. Vejamos alguns exemplos:

  1. Anulando Vaqueiros através da “união” com Casével isso “garantia” uma junta ao PSD. Se não fosse essa a intenção a união teria sido feita com Pernes, freguesia e localidade onde há mais serviços, capacidade de resposta e melhor ligação identitária. Mas esta era uma freguesia com implantação CDU e Casével já era PSD.
  2. “Apagar” Vale de Figueira, freguesia que mantinha forte implantação do PS e CDU, era útil para a juntar a S. Vicente do Paul pois o presidente da Junta já estava do lado do PSD. Vale de Figueira era uma freguesia dinâmica no desporto e na cultura, com uma história que remonta ao tempo romano, com forte identidade e espírito de comunidade. De nada lhe valeu na contabilidade de Ricardo Gonçalves.
  3. Porque é extinta a freguesia de Vale de Figueira e não é a de Gançaria por exemplo? Porque esta, Gançaria, já garantia um presidente de junta ao PSD. E repare-se: Gançaria tinha 531 eleitores e Vale de Figueira 1064.
  4. Porque não foi criada a desejada freguesia da Serra do Alecrim dividindo a geograficamente maior freguesia do concelho em duas? Porque o vírus autonomista e até de esquerda já influenciava os povos dos baldios e a Junta de Alcanede era (…) PSD, é claro!
  5. O acordo de “união de Tremês com Azoia de Cima tem, no meu ver, outra premissa que se demonstrou verdadeira: um acordo PS/PSD.
  6. Outro caso é a fuga do Pombalinho para a Golegã. Os executivos camarários trataram tão mal a terra que recebe a fertilidade do Alviela, do Almonda e do Tejo que os moradores preferiram mudar de concelho.

O argumento para o golpe nas freguesias foi a nível nacional, mas aqui “brilhantemente” executado pelo PSD.

Realço quatro aspetos concretos:

  1. Os momentos de crise são propícios a tentativas de diminuição da democracia. O papão da troika foi o álibi para reduzir despesas reduzindo freguesias, demonstrou-se falso.
  2. A “Operação Pública de Aquisição” que Moita Flores já tinha lançado à CDU apanhou o PCP já em estado de fragilidade política e ideológica, sem unidade e sem linha política autárquica. Foi presa fácil!
  3. Há mais de seis anos que Pernes, S. Vicente do Paul e Achete se desentendem para acertar os seus limites de freguesia. A incompetência deste executivo camarário junta-se à má vontade em resolver um problema que se arrasta com prejuízo para as populações. Em fevereiro de 2015 nem um projeto de lei do PS, na AR, foi aprovado na Assembleia Municipal de Santarém pelos próprios eleitos do PS…
  4. As esperanças depositadas no PS foram frustradas, quer locais quer no governo. As promessas passaram a estudos, os estudos a tempos de análise e ainda hoje se arrasta esta injustiça da extinção de freguesias!

É o que temos nesta nossa terra, é o que os meus olhos veem.

Fez oito anos, oito anos de segredos dissolvidos, oito anos de círculos sem saída… Ou citando a nossa Sophia de Mello Breyner Andresen:

Beijei a terra com os meus olhos, a minha boca e os meus dedos

Enrolei-a a mim em círculos inumeráveis

E em contemplações intermináveis

Dissolvi-me nos seus segredos” .

Vítor Franco

1 Comment

  1. Ancorei numa nacao do Norte da Europa ha’ mais de 40 anos em que o seu territorio nao tem freguesias. Ele e’ dividido por concelhos – 308. Concelho – cidade (106) e concelho – vila (202). Enquadrado em regioes (18) e nao em distritos.
    Seria possivel isto em Portugal?

    RB – NORDIC

Leave a Reply

Recentes de Opinião

Votar

Se a abstenção tem sido elevada nos últimos actos eleitorais, teme-se que…

Ir para Início
%d bloggers like this: