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Santarém – Manifestação diz Basta aos Atropelamentos

Em Sociedade

A FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta vai, mais uma vez para a rua, por todo o país para fazer um apelo cívico dizendo basta aos atropelamentos. realizam-se esta quinta-feira, dia 16 de julho, às 19 horas, concentrações em Aveiro, Braga, Évora, Faro, Guarda, Lisboa, Mértola, Porto e Santarém.

Em comunicado, a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) faz um apelo cívico, recordando que há 20 anos um associado da FPCUB foi vítima de atropelamento em Lisboa, quando duas semanas antes tinha organizado uma manifestação com objetivos semelhantes. Foi feita uma manifestação e um voto de pesar na Assembleia da República. “Esta é a quarta vez num curto espaço de tempo que chamamos à atenção para esta questão (Janeiro de 2013, Janeiro de 2017, Setembro de 2019 e agora, passado menos de um ano)”, refere o comunicado.
Nas alterações ao Código da Estrada em 2014 havia uma clara intenção de dar prioridade aos utilizadores vulneráveis da via, desde logo com a criação desse conceito, mas também, com o incremento da segurança desses utilizadores.
“Infelizmente, nalguns casos, não passaram de alterações escritas e de uma mera intenção. Aquilo que continuamos a constatar são comportamentos de risco, em estradas e cidades feitas para o automóvel e sem condições de segurança para peões, utilizadores de bicicleta e, em particular, das pessoas com mobilidade condicionada”, afirma a FPCUB.
“Não basta criar ciclovias para ser seguro andar de bicicleta, outras medidas têm de as acompanhar. Uma medida por si não faz milagres. A criação de mais ciclovias traz mais gente a pedalar, o que é ótimo, mas as restantes condições comportamentais ou de segurança na utilização do espaço não devem ser menosprezadas”, afirma o comunicado.
A Federação considera que se “mantém alguma agressividade por parte de quem, não simpatizando com a bicicleta, se considera acima da lei, acabando por utilizar os veículos motorizados como arma. Mesmo sendo poucos, tais comportamentos são altamente perigosos e podem, em muitos casos, ter consequências gravíssimas. Estes comportamentos deveriam ser tratados no âmbito da responsabilidade criminal”.
A FPCUB afirma que “é urgente uma fiscalização sistemática e uma política de tolerância zero em relação a comportamentos manifestamente perigosos ou agressivos. Não pode haver complacência enquanto não se atingir o objetivo de zero atropelamentos e zero mortes“.
“Os comportamentos manifestamente perigosos ou agressivos como por exemplo o excesso de velocidade, ainda são um “crime dos bons malandros” em Portugal. Temos de inverter esta desculpabilização coletiva e exigir uma guerra aos comportamentos de risco na circulação rodoviária”, defende a Federação.
Apesar das chamadas de atenção constantes da FPCUB, “continuam a morrer pessoas. Estamos a falar da vida de pessoas, pode ser qualquer um de nós, um familiar, um amigo ou um conhecido e por isso não podemos continuar a fechar os olhos a esta triste realidade”.
“Foi o sol”, “estava a chover”, ou “não o vi” são desculpas que muitas vezes significam “vinha ao telemóvel”, ou “vinha em excesso de velocidade”. Para a FPCUB, “não podemos aceitar esse tipo de desculpas. Um erro ou uma falta de atenção, podem custar a vida de uma pessoa. Não podemos também dizer que foi “falta de sorte” do peão ou do utilizador de bicicleta. As coisas devem ser chamadas pelos nomes e os culpados devem ser julgados como tal”.
“Os decisores políticos não podem ignorar o que está a acontecer. Este é um tema urgente, há muitos anos. Não só consideramos que o governo pode agir, tomando medidas de segurança rodoviária e campanhas de informação e sensibilização conjugadas com uma fiscalização apertada ao cumprimento do Código da Estrada, como também os próprios municípios podem e devem investir em infraestruturas seguras, em paralelo com medidas de acalmia de tráfego, sempre que se justifiquem”, propõe a Federação.
Num percurso de 5 km, por exemplo, se o carro for a 30 km/h demora 10 minutos, em condições normais. Se for por exemplo a 50 km/h demora 6 minutos ganhando 4 minutos, mas aumentando substancialmente o risco de consequências mais penalizadoras em caso de acidente. Por esse motivo, e tendo por fundamental o valor da vida humana, a Federação considera inabalável o princípio de igualdade e respeito entre seres humanos, o que implica, necessariamente, dar maior prioridade à prevenção das consequências da sinistralidade em detrimento da permissividade de maiores velocidades de deslocação na circulação.
A FPCUB diz que não pretende apontar o dedo a ninguém, nem encontrar culpados, mas sim apelar à consciência cívica e alertar para que sejam tomadas medidas, humanistas. Para que se pense qual o caminho a seguir, para que se escolha um futuro mais promissor com o qual as pessoas usufruirão do espaço público sem medo, e onde as crianças brincarão na rua com mais segurança. A acalmia de tráfego é urgente, quer nas cidades, quer fora delas, tal como a fiscalização das velocidades praticadas. Mas acima de tudo necessitamos de consciencializar que a velocidade mata e que grande parte de nós, que utilizamos a bicicleta, podemos circunstancialmente, utilizar o carro ou a mota, mas no final do dia, Tod@s Somos Peões.
“Não podemos manter estes níveis de sinistralidade. Não devemos continuar a corrigir o mal que foi feito, mas sim prevenir que aconteça”, afirma a FPCUB, salientando que “desta vez, por um comportamento de terceiros, com condução negligente, faleceu uma jovem de 16 anos enquanto se deslocava com uma bicicleta, num local semaforizado, no Campo Grande em Lisboa“. Esta é uma infraestrutura como tantas outras no país: com um perfil que convida a velocidades elevadas, ainda que semaforizada, poucas vezes objeto de fiscalização e sem radar de controlo de velocidade. Impõem-se ações concretas, nesta e noutras ruas das cidades portuguesas, que têm mais de autoestrada (espaços de segregação) do que de espaço verdadeiramente público (espaços de partilha e igualdade).
Quando se incentiva o uso da bicicleta e se constroem infraestruturas, o resto não pode ser esquecido”.

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