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De Jorge Jesus e do ópio, à gente humilde do futuro!

Em Opinião

O espetáculo patético que as televisões nos brindaram com diretos sobre a chegada de Jorge Jesus a Lisboa merece uma ponderação!

Não interessa se JJ vem para o Benfica, para o Sporting ou para o Porto. Não me encerro em visões fanáticas e clubistas que forçam incompreensão sobre a vida e o papel de cada um de nós na comunidade em que se insere e no país onde reside. Interessa-me a reflexão serena, dialética, perguntar porquê?

No meu 12.º ano, feito à noite enquanto trabalhava, não tinha disciplinas de filosofia ou sociologia apesar delas procurar saberes. Foi com prazer que recebi os conhecimentos de Física, pela excelente professora Berta, que me senti “motivado” pela Matemática pelo professor Vítor Luz ou pela Geometria Descritiva, disciplina mestra de imaginário e desenvolvimento mental. Destas qualificações e da vida vivida parto para o esforço da cidadania ativa, qual eletricista “que sempre dizia sim e passou a dizer não”, qual operário que fez ou “faz a coisa / e a coisa faz o operário”, qual pré-reformado que foi “um humilde operário / um operário que sabia [com orgulho e dignidade] exercer a profissão”.

Não amigo Vinícius de Moraes´, não “cresci em vão”, ali no bairro do Pereiro, e eu sei que “além do que sabia, – Exercer a profissão – eu adquiri / uma nova dimensão”, mas não “a dimensão da poesia”, a dimensão da razão, a da consciência de mim para mim. 

É dessa razão que te interrogo Vinicius de Moraes: tu que cruzaste ideologias, mundos e diplomacias, culturas e desventuras, ódios e paixões, imagina-te chegares aqui vindo do Brasil irmão e veres-te cercado desta inusitada e inculta ação mediática.

Tu que procuraste explicar a “esperança sincera”, diz-me se ela reside num Jesus endeusado em seus milhões de euros, usado para fanatizar milhões de pessoas que empobrecem, adoecem e morrem numa pandemia e na pobreza? Diz-me, Vinicius, tu que nasceste e morreste em julho no país irmão (…) diz-me onde está a dimensão da razão?

Sabes o que sinto Vinicius? Querem que os homens pobres e esquecidos, os operários construídos, esqueçam que são operários em construção e neles se perca a razão em desfavor da alienação. Afinal a alienação, é como o ópio, impede a dialética e o agigantar da razão!

Sabes Vinícius, gostava que conhecesses pessoas que nos fazem crescer “uma esperança sincera” nos nossos corações, pessoas que nos suscitam a conquista da razão. Pessoas como Eduardo Jorge – incansável na luta pelos direitos das pessoas com deficiência -, Pedro Triguinho ou Arlindo Consolado Marques – ativistas na defesa do ambiente e perseguidos pelos criminosos poluidores -, António Monteiro – descobridor de “heróis anónimos” e construtor da história e memória coletiva -, Helena Pinto ou Fabíola Neto Cardoso – lutadoras pela igualdade de todas as mulheres e das pessoas LGBT… Faríamos um almoço nas Caneiras, em cima de uma manta, à sombra de um salgueiro, junto ao Tejo, partilharíamos a história avieira com fataça frita apanhada pelos pescadores e tomate vindo das mãos de trabalhadores indianos.

Sabes Vinícius, estas pessoas são a minha gente! Gente humilde, não transportam consigo a ferramenta da alienação, transportam a cidadania, a dimensão da razão; elas ajudam-nos a ser operários em construção. São as pessoas do futuro!

Pois é Vinícius, “eu penso em minha gente / E sinto assim / Todo o meu peito se apertar / Porque parece / Que acontece de repente (…) / [alí na Ribeira de Santarém] Vindo de trem de algum lugar / E aí me dá / Como uma inveja dessa gente / Que vai em frente / Sem nem ter com quem contar…

Meu amigo, Vinicius, se não é assim, “o que será que me dá” neste mundo que aqui está?

Vítor Franco

1 Comment

  1. A tribo do futebol chuta como se nunca tivesse aparecido o virus do corona. Os problemas financeiros que estao a atingir a sociedade parece!!!!!!!!!!! que nao a afecta. O fundo do saco, que nao e’ azul, tem sempre milhoes para distribuir. SHOW MUST GO ON.

    RB – NORDIC

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