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Provar

Em Ribatejo Cool

A pandemia provocou o atraso em funcionamento do restaurante REVOLUÇÃO instalado na Associação 25 de Abril, na rua da Misericórdia em Lisboa.

Recebi nos últimos dias informações e uma notícia-crítica inserida no Expresso a informar que esta casa de comeres e beberes orientada pelo competente chef Nuno Diniz já se encontra receber clientes, por isso mesmo, vou afivelar a máscara no sentido de ir provar as receitas nele servidas.

Dada a estreita afinidade com os «capitães» de Abril escrevi provar, porque no normativo militar a comida (rancho) servida nas unidades militares só ia para a mesa após ser provada por quem lhe competia, certamente, assim continua a ser apesar das transformações operadas na instituição militar.

A prova aprovada ou rejeitada provém do facto de reis, príncipes e altos dignitários reais só comerem após o escudeiro da corte provar a comida porque havia o temor (fundamentado) de a comida ser envenenada. Ao longo dos séculos a história refere dezenas de casos de envenenamentos, por isso mesmo, para lá dos provadores, inventaram-se talismãs a que atribuíam qualidades de denunciarem a presença de venenos após e passagem sobre a comida a servir de pedras preciosas (pedra sapo, ágata) e/ou outros objectos que mudavam de cor caso estivesse impregnada de peçonha. As línguas de serpente, os dentes de tubarão ou de licórnio possuíam tais prodígios diziam os crentes, porém os possidentes, à cautela, a partir do século XVII passaram a preferir a degustação dos provadores. No tocante a bebidas o cerimonial protocolar incluía outras aferições e, o vinho estava guardado à vista.

Vários autores referiram a possibilidade de o rei D. João II ter sido envenenado. Inimigos não lhe faltavam!

Armando Fernandes

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