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Rotunda do CNEMA: A segunda morte podia ter sido evitada…

Em Opinião

(Em Maio de 2018 publiquei no jornal O Ribatejo esta crónica. Volto agora a reescrevê-la, infelizmente com um pequeno acrescento que teria sido evitado se o executivo atendesse, pelo menos dessa vez, às recomendações dos eleitos da Assembleia Municipal.)

Mão amiga e interessada por Santarém, fez-me chegar informação e documentação relativa a um tema que foi seguido e tratado na Assembleia Municipal (AM), ainda no mandato anterior e que deveria ter dado origem a trabalhos por parte da Câmara. Passo ao assunto:

Em 2015 foi entregue na AM uma petição com centenas de signatários, que reclamava da autarquia, a remodelação da rotunda em frente ao CNEMA, na Rua O, nomeadamente a retirada dos blocos de betão e a melhoria da segurança para os automobilistas nos acessos. Esta petição foi originada por um acidente mortal nessa rotunda e promovida pelos familiares da vítima. A mesma originou a criação de uma comissão na AM, destinada a estudar o assunto e a produzir um relatório onde iriam constar as conclusões e as recomendações, caso as houvesse, ao executivo camarário.

O relatório apresentado, foi aprovado por unanimidade na AM, tendo por isso a força que lhe dá esse consenso, para podermos dizer que obriga o executivo a cumprir e a executar as recomendações nele propostas que foram “…reforço da sinalização, posicionamento das baias direcionais, substituição das telas refletoras e pavimentação à aproximação da rotunda com coloração distinta; numa segunda fase elaboração de projeto de reconversão da rotunda, essencialmente ao nível da eliminação e remoção dos lancis em betão armado e restantes elementos rígidos, tratamento paisagístico da ilha de molde a permitir a invasão da zona central e implementação de boas práticas; numa terceira fase revisão do perfil longitudinal e transversal, bem como o acesso ao CNEMA.”

Uma rotunda sem toiro, sem campino e sem segurança.

A rotunda em causa não cumpre com o regulamento geral aplicado às rotundas, em virtude de ser um obstáculo completamente intransponível e perigoso para os automobilistas, carecendo assim de uma total remodelação, como é sugerido no relatório e consequente recomendação.

Passados mais de dois anos após a Câmara ter recebido esta recomendação dos eleitos do Concelho, outro acidente mortal aconteceu. Parece que o executivo camarário não se sente minimamente responsável por mais este acidente, mas deveria ter em atenção que, se já tivessem sido executadas as obras recomendadas, teria sido evitada esta segunda morte.

Pergunta-se do que está o executivo à espera para proceder aos trabalhos recomendados? Esta rotunda foi mais um erro urbanístico, técnico e artístico, promovido pelo executivo de Moita Flores.

Deste mamarracho já fugiram o toiro e o campino que preenchiam a parte escultórica do dito. Recolheram aos armazéns da Câmara desmembrados e sem dignidade, confirmando mais uma evidência do desleixo e das infelizes opções artísticas que temos no Concelho. Agora só falta dar cumprimento ao deliberado na Assembleia Municipal e redesenhar todo aquele espaço. Na sua falta, talvez responsabilizar criminalmente quem, por negligência e incúria, não cumpriu o seu dever de bem gerir o bem público e salvaguardar a segurança dos cidadãos.

25 de Julho de 2020

Manuel Rezinga

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