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Um recomeço depois da conclusão…

Em Opinião

As obras de requalificação do Mercado Municipal de Santarém deveriam estar concluídas até ao próximo dia 12.

Estão paradas desde final de janeiro ou início de fevereiro, ainda que oficialmente tenham sido suspensas a 13 de março.

O Covid, que até poderá ser uma justificação aparente para esta paragem e para este atraso, não teve assim nada de relevante a ver com o assunto.

A previsão é de que os trabalhos irão recomeçar em setembro e assim reiniciar-se-ão partindo de um estado de bem maior ruína do que quando começaram.

É a propósito desde recomeço, em altura já de conclusão, que aqui trago de novo este tema.

Sabendo que não devemos nem podemos esquecer a forma ditatorial e ameaçadora como os comerciantes foram expulsos deste espaço, interessa hoje aqui focar os problemas atuais e os futuros prováveis.

Recordando, o que se passou foi o que disse na altura o presidente da Câmara com a maior das naturalidades: há necessidade de reforço estrutural das paredes e fundações do edifício, já que, no decorrer dos trabalhos, se verificou que este não tem essas mesmas fundações, tentando passar a ideia de que tudo isto é perfeitamente normal, que são coisas que acontecem. Disse tratar-se de uma “anomalia”, de uma situação “imprevisível” e “impossível de verificar” que, por isso, não constava no caderno de encargos da obra.

Lembro que o edifício é dos anos 30 do século passado, altura em que essa forma de construir era comum. Havia até já a aprendizagem passada pelo menos com o Teatro Sá da Bandeira onde o mesmo aconteceu.

Também só naquela altura é que foi detetado que as paredes divisórias das lojas são frágeis e que necessitam de ser reforçadas…

Mas parece que não se pedem responsabilidades e que tudo isto vai realmente passar como se fosse mesmo perfeitamente normal e corre-se até o risco de voltar a acontecer o mesmo em possíveis obras futuras que poderão vir a ter a mesma falha de projeto!

E com isto lá vão mais 308 000 € a pagar à empresa que vai agora fazer esta parte da obra inicialmente não prevista. O presidente da Câmara disse, sem explicar, que o Município só vai suportar 15% deste valor. Para suportar o restante, talvez esteja a pensar no empréstimo do BEI que aí virá. Se assim for, não se trata de fundo perdido, mas de um valor que terá de ser pago ainda que, verdade se diga, em condições bastante favoráveis.

E mais custos virão ainda desta “imprevisibilidade”: a empresa que iniciou as obras tem vindo a exigir compensação pelo tempo de obra parada e está a ser contratado o pagamento da manutenção de meios em obra durante suspensão.

Mas os problemas não ficarão certamente por aqui:

  • A obra das fundações vai afetar a estabilidade das paredes, como a empresa que iniciou as obras já chamou, e bem, a atenção.
  • As paredes estão há pelo menos 9 meses com o topo desprotegido (sem telhado) e muito mal tapadas com lonas velhas e já ensoparam a chuva de alguns meses em que ela se fez sentir em força – não é preciso ser especialista para se saber o efeito que isso tem em edifícios desta época de construção essencialmente em tufo e adobe.
  • E os painéis de azulejos exteriores? Ora destapados, ora semi-tapados, com madeiras velhas vão resistir às intempéries e à alteração de estrutura?

Uma obra a continuar a acompanhar com tristeza…

Francisco Mendes

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