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Torres Novas recebe programa da meia final das 7 Maravilhas da Cultura Popular

Em Ribatejo Cool

Torres Novas acolhe no próximo dia 30 de agosto o programa da segunda meia final do concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular. O programa será transmitido em direto da cidade do Almonda na RTP 1 e RTP Internacional, das 11h30 às 13h e das 15h às 20h00.

A organização das 7 Maravilhas de Portugal divulgou esta semana a abertura das votações para apurar as Maravilhas do país que rumam à Final Nacional. A votação termina no próprio dia do programa, por volta das 19h30, à voz dos apresentadores.

Entre os semifinalistas conta-se a Festa da Benção do Gado de Riachos, concelho de Torres Novas, e o barco Picareto de Mação.

Festa da Benção do Gado, Riachos, Torres Novas

Festas e Feiras – VOTE JÁ: 760 207 752

A Festa da Bênção do Gado retoma uma tradição rural cuja origem se perde na memória dos tempos e revela a marca identificadora desta terra, das suas gentes e das suas raízes.

Em honra de S. Silvestre, patrono dos lavradores, dos campos e protetor dos animais, no início do século passado, a Festa ainda se realizava todos ou quase todos os anos, normalmente no mês de junho (algumas realizaram-se em maio, outras em julho), antes das colheitas de verão, tendo perdido a sua regularidade a partir da década de 30, passando a realizar-se apenas em anos de exceção, para celebrar momentos altos da terra ou quando se juntavam vontades à volta da entidade organizadora, a Sociedade dos Cingeleiros, organização de socorros mútuos dos lavradores e criadores de gado riachenses e, esta entendia ser oportuno a sua realização.


Coincidindo com a inauguração da luz elétrica na então aldeia e com a inauguração da Casa do Povo (instituição) em 1937, realizou-se, sob um figurino renovado e abrangente, aquela que foi considerada a primeira Grande Festa da Bênção do Gado, voltando a repetir-se o sucesso só após 16 anos, em 1953. Depois, em 1966, 1973, 1985 e 1993. Com a fundação da Bênção do Gado Associação Cultural, em janeiro de 2000, criou-se uma nova estrutura para a organização da Festa e foi-lhe dado um novo impulso, passando a Grande Festa a realizar-se de 4 em 4 anos. Sendo de realçar os resultados muito positivos na Festa de 2000. Êxito que veio a repetir-se nas edições de 2004, 2008 e 2012.

Um dos momentos mais importantes da Festa, desde a edição de 1966, é a procissão do Senhor Jesus dos Lavradores. Foi desde esse ano que a Festa da Bênção do Gado passou a integrar a Imagem do Senhor Jesus, que segundo a Lenda, terá sido encontrada na Idade Média por um grupo de lavradores riachenses. Estes com a sua junta de bois lavrava a terra nos campos do Espargal, junto dos Casais de Riachos, por nessa altura não existir igreja em Riachos a imagem foi levada para Torres Novas, onde ainda hoje se encontra, na Igreja de Santiago, à guarda da Misericórdia de Torres Novas e que visita Riachos de 4 em 4 anos durante a Festa da Bênção do Gado, fazendo-se uma procissão com tratores de Torres Novas a Riachos e ficando a imagem em exposição para devoção.

Ruas engalanadas é também uma das marcas diferenciadoras do evento, que ganhou força a partir de 2012, onde foi feita uma aposta das pinturais murais por toda a vila com a etnografia da Vila. Mas o momento mais alto da Festa é o grandioso Cortejo da Bênção do Gado. O Cortejo é a imagem de marca da Festa. Este cortejo acontecia para que os agricultores de Riachos pudessem benzer os seus animais e assim protegê-los de maleitas que os invalidasse para a época agrícola pondo em risco o sustento das famílias. Hoje em dia, com menos agricultores e muito menos animais, o cortejo é feito igualmente com passagem junto à igreja de Riachos onde o Pároco faz a bênção e junta-se ao cortejo, tratores, máquinas agrícolas, associações e empresas da vila para que possam ser benzidos.

Barco Picareto, Ortiga, Mação – Artefactos

VOTE JÁ: 760 207 755

No concelho de Mação foram construídos os últimos Picaretos anunciando-se o seu fim, com o de quem lhes dedicou mais de 6 décadas de vida. A história dos Picaretos é mais antiga, são 300 anos de uso deste barco, ou bote, para a pesca e para o transporte de pessoas no Tejo. Manuel Fontes, o último Calafate de Ortiga – Mação deixou-nos os seus últimos trabalhos, dos mais de 300 que fabricou, tendo começado com 22 anos a trabalhar com a obra preta: trabalho de madeira que mexe com resina e alcatrão.

Os Picaretos, por terem a forma de uma picareta agrícola, têm 6 metros de comprimento e são um barco de aresta, com fundo chato podendo navegar com um palmo e água. São, assim, muito bem construídos em cerca de 20 dias com recurso a cerca de 100 tábuas, de 4 pinheiros. Depois de construída a estrutura coloca-se a “estopa” nas costuras do barco, entre as tábuas, com recurso a uma calafetadeira e um maço.

O leito leva um revestimento de pano-cru e, por cima, uma camada de pez ficando como que encerado. O barco é parecido na sua divisão com o corpo humano, dividido em fundo, costado e leitos. A tábua do centro, a espinha, é que manda em toda a obra, e as do lado são cortadas ao meio, para darem a curva, e depois leva travessas ou cavernas. O costado é feito só de tábuas compridas, uma em cima que se chama de boca e outra ligada ao fundo que se chama aresta, tem um molde e é deitado um pouco para trás para fazer o esbarramento, como se diz, ou fica feio em jeito de uma arca e sem equilíbrio na água.

O Picareto tem dois leitos: o mais largo é o leito grande onde, em cima, se trabalham as redes e onde, por baixo, se dorme.
O leito pequeno, que é o da proa, onde se mete o serrão da “bucha” para comer e os sapatos, pois no barco é obrigatório andar descalço. A espessura da madeira que reveste o barco é de vinte milímetros. Todas as peças do barco picareto, interiores e exteriores, têm uma designação própria, como os trancanis da proa, o cágado do remo, a tábua das bufas, o buraco do trapeiro, o entre pares, a chumaceira, a draga, o vertedouro ou os fiéis, entre outras.

Os barcos Picaretos são parte da nossa identidade, a par do Rio Tejo, sendo considerados autênticas obras de arte por conjugarem a experiência dos pescadores com a criatividade dos seus construtores. A técnica da sua construção passou de geração em geração e assumem-se hoje como um dos maiores bens da nossa história, com a certeza do seu fim, com a extinção dos Calafates, que foram muitos.

Em Ortiga, no sul do Concelho de Mação, vai inaugurar em breve o Núcleo Museológico, que será um Polo Museológico das artes da pesca tradicional no rio Tejo, onde o Picareto tem lugar de honra assumindo-se como peça principal. Por tudo isto, porque é uma criação maravilhosa que trazia auxílio aos pescadores e comida às mesas e porque ainda cruzam as águas do nosso Tejo, se apresenta esta candidatura do barco Picareto de Mação.

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