Mais um verão sem o “cluster” do Tejo em Santarém

Em Opinião

Parece um tema pequeno, um “fait-diver”, típico da altura do ano que vivemos, mas tal não é assim.

Em 2007, foi anunciado com pompa[1], que Santarém iria investir 100 milhões numa mega frente ribeirinha, com estrutura portuária e com a melhor praia fluvial da galáxia em 10 anos. A autarquia falida ia arranjar um mega investimento, que depois já era uma parceria-público privada, nada de novo, vindo de quem vinha.

Em 2016, a melhor praia da galáxia trazia de forma gratuita a poluição. (foto de Paulo Patrício em www.eugostodesantarem.pt)


Em primeiro lugar, realçar que era muito importante Santarém ter uma praia fluvial de renome, e aproveitar o Tejo como modelo de desenvolvimento do concelho em toda a sua extensão, nomeadamente, os afluentes do Tejo, que outrora já foram um exemplo, como o Parque do Mouchão em Pernes banhado pelo Alviela. Este Parque que apesar de ter prevista uma requalificação visando basicamente a instalação de uma cafetaria, ficara aquém do necessário. O mesmo sucedeu em 2009[2], em que apesar de um jardim e a justa homenagem ao “Diabo”, a questão da poluição continuou por resolver. Parece que os sucessivos autarcas, não parecem querer recuperar a “glória de outrora”, até porque para isso acontecer, a água não podia estar poluída, algo que tem merecido o desprezo do atual edil da capital de Distrito.

O facto de o rio Tejo não ser visto como um fator de desenvolvimento económico do concelho, bem como grande atração turística, mostra a falta de ambição de quem nos governa, nomeadamente, no plano estratégico de turismo da autarquia, que pode ser consultado no seu site[3], em que o Tejo merece apenas uma página, em 171 páginas de documento. Isto é bem revelador de uma autarquia de costas voltadas para o rio, exceto se servir para propaganda.

Persiste ainda o erro de ignorar o efeito das alterações climáticas no concelho, nomeadamente, nos rios, devido ao aumento da temperatura e redução de caudais, em que o problema da poluição será agravado também pela falta de sinergia entre concelhos vizinhos, e uma verdadeira estratégia da região, que sofre com a divisão lezíria e médio Tejo.

O Direito ao lazer de qualidade é importante, e uma autarquia tem também de criar as condições para o mesmo, ou em linguagem “moderna”, o “cluster” do Tejo? Falta de ambição? Medo dos poluidores? Outras prioridades? Será que a autarquia tem orgulho em ser banhada por um rio que despreza?

Luís Martinho


[1]    https://www.publico.pt/2007/10/03/local/noticia/santarem-quer-investir-cem-milhoes-de-euros-na-frente-ribeirinha-da-cidade-1306444

[2]    https://www.youtube.com/watch?v=ah5U5HPq-iQ

[3]    https://www.cm-santarem.pt/servicos-municipais/planeamento-estrategico/turismo

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