Presídio de Santarém: um edifício histórico em risco

Em Opinião

As instalações do Ex-Presídio Militar merecem a atenção de todos os scalabitanos que gostariam que fossem preservados e tornados úteis alguns dos espaços e edifícios mais emblemáticos da cidade. O Presídio é um deles e é um ícone de Santarém. Ele é visível de muitos ângulos por quem se aproxima da cidade e que venha de Norte ou Oeste. É uma construção que remonta a 1890 e de um grande valor arquitetónico com pouquíssimos exemplos equiparáveis (Penitenciárias de Coimbra e Lisboa), tendo sido classificado como imóvel de interesse público. Presentemente acolhe algumas valências, nas áreas da cultura e ensino (UTIS, alguns serviços camarários e Centro de Investigação Veríssimo Serrão) que apenas ocupam uma área mínima respeitante às antigas instalações administrativas e de Comando, de quando era uma prisão militar. Lembro que uma das últimas missões oficiais de Salgueiro Maia que, à falta de melhor local para ser ostracizado pelos poderes de então, foi a de comandante desta prisão. Também será um mistério, estarem estas instalações ocupadas por departamentos camarários e o executivo manter a versão de que nada pode fazer na sua conservação por não ser propriedade sua.

A restante área do espaço edificado, é a correspondente ás antigas celas e à cúpula (Charola), que estão num estado de degradação tal que poderão, caso não haja uma intervenção rápida, ser irrecuperáveis, ou mesmo, colapsar.

Uma área de cerca de 15 mil metros quadrados, numa zona nobre e central do Planalto, não é considerada em nenhum projeto de reabilitação ou sequer de um estudo visionário para o seu futuro. Nem tampouco foi incluído nos projetos candidatos a apoios comunitário neste quadro comunitário de apoio. Parece que, segundo o executivo camarário, este imóvel não é prioritário nem da sua responsabilidade. No entanto, terá sido comprado pela Câmara à Estamo (empresa do Estado destinada a vender edifícios públicos) por mais de 4 milhões de Euros há mais de doze anos.

Seria importante e urgente começar a pensar no futuro deste espaço nobre da cidade, como aliás existem outros em condições similares. Certamente que gabinetes ou escolas de arquitetura poderiam apresentar projetos de reconversão e do seu aproveitamento para usufruto dos cidadãos do Concelho e de visitantes, a exemplo de outros na cidade. São os casos da Ex EPC e do Campo Emílio Infante da Câmara, que continuam sem qualquer gestão planeada. Todos são espaços extremamente importantes, mas abandonados à sua sorte e ao laxismo, incúria e negligência do atual executivo.

Esta Câmara mostra-se incapaz e sem competência para intervir na conservação e reinvenção do rico património edificado e dos grandes espaços disponíveis da cidade.

Manuel Rezinga

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