Ativistas em conversa aberta “Por um Ribatejo Melhor”

Em Sociedade
Francisco Cordeiro faz balanço do encontro de ativistas Por um Ribatejo Melhor

Realizou-se este domingo, dia 6 de setembro,  um debate sobre o tema “Por um Ribatejo Melhor”, junto ao coreto do Jardim da República em Santarém.

A conversa contou com a participação de representantes de vários movimentos sociais da região.

O encontro contou com a presença do movimento SOS Alcanena, representado por Ricardo Rodrigues e Joana Algarvio, onde se mostraram cada vez mais preocupados com a situação de Alcanena- “não há melhorias, as coisas têm piorado. Não há qualidade de vida.” Reclamam os apoios que a autarquia deveria prestar aos cidadãos, apontando, deste modo para o facto de o município de Alcanena ter perdido mil habitantes nos últimos 8 anos.

O movimento PATAV (Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos), representado por Inês Dias, cujo objetivo passa por trabalhar pela abolição do transporte por via marítima de animais vivos que ocorre, desde 2015, de Portugal para o Médio Oriente e Norte de África, sobretudo para que possam ser cumpridos rituais nesses países. “Foi aberta uma comissão de inquérito pela União Europeia em relação ao transporte marítimo de animais”, destaca.

Da CLAPA – Comissão de Luta Antipoluição do Alviela), participou o porta-voz José Gabriel, que referiu que “o rio Alviela passou a ser um caixote do lixo, principalmente de crómio. Pernes e as povoações ribeirinhas do Alviela sofrem com este problema.” Afirma que a CLAPA está do lado dos autarcas, “temos é que os confrontar com a realidade da poluição. Desafiamos todas as forças políticas que se pronunciem face aos problemas do Alviela.”

Do movimento Santarém Sem Touradas, representado por Francisco Cordeiro, fica a mensagem de que é necessário terminar com o sofrimento animal.

Do Quebra a Corrente – Movimento de Libertação de Cães Acorrentados, Tânia Mesquita afirma que o principal objetivo deste movimento passa por “criarmos um espaço para manter os animais livres, adequados às suas necessidades.” “Convido todos aqueles que queiram e tenham vontade de fazer a diferença na vida animal a integrarem o movimento Quebra a Corrente.”, termina.

Manuela Marques

Do movimento No coração da cidade, Manuela Marques conta que deixaram de fazer ações na rua, sendo que ação do movimento tem sido essencialmente a nível pedagógico, desde há 4 anos. É um movimento que valoriza as vontades das pessoas, o património cultural, o património natural. “Não termos medo de nos insurgir contra os poderes, principalmente a Câmara Municipal de Santarém”, diz.

“Juntámos grupos de pessoas para limpar zonas da cidade menos cuidadas. Uma vez divulgámos que iamos limpar a fonte da junqueira no sábado, mas na sexta a câmara já a tinha limpo. Sempre que nos juntávamos para limpar algo, a câmara antecipava-se a nós. Fizemos fazer.”

O Movimento Ar Puro- Rio Maior, representado por António Costa, manifestou a preocupação do movimento face à qualidade de vida em Rio Maior. Reclama um Ribatejo mais saudável e habitável- “temos de unir esforços, envolvendo as pessoas e as diversas organizações empenhadas e comprometidas com a justiça social e climática, em todas as suas dimensões.”

Eduardo Jorge

Eduardo Jorge, do movimento Nós Tetraplégicos, destacou a importância que o Estado deveria ter na vida das pessoas idosas. “O Estado fez uma campanha de marketing brutal para dar a parecer que está tudo bem, mas não está. Todos nós conhecemos alguém que está a ter poucos cuidados e nada se faz, não fazemos nada.”, diz. Considera que é importante distribuir mais verbas e dar mais formações às IPSS.

Deputada Fabíola Cardoso

Fabíola Cardoso, deputada pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República, afirma que “neste debate, hoje, foram apresentados vários exemplos de como ao longo da história, em áreas diferentes, deram-se marcos importantes no ativismo. No meu caso, o meu associativismo foi o movimento gay e lésbico em Portugal. São diferentes a existência de um associativismo e a existência de um gay ou uma lésbica em Santarém e como era há 20 ou 30 anos. É um exemplo prático e pragmático do associativismo e da cidadania em ação.”

O encontro contou igualmente com as presenças de Filipa Carmo, pintora, Mariana Campos, ilustradora e Tiago Fernandes, músico.

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