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Os enclíticos caloteiros

Em Opinião

Se tivemos a enclítica geração nestes tempos de opacidade, de uma procuradora a elogiar um chantagista delator, desembargadores a serem julgados, a facilitadores a facilitarem a esmo, não podemos estranhar a existência de uma enclítica geração de caloteiros protegidos através do eufemismo do sigilo bancário.

Já foi assim no tocante à Caixa Geral de Depósitos, já foi de igual modo no referente ao BES, repete-se a fandanga no que tange à auditoria ao Novo Banco.

A inebriante falperra anima os caloteiros a passearem-se impantes na sua vida luxuriante sem aborrecimentos e, se surgirem, as empresas de segurança aumentam o número de guarda-costas ao caloteiro até porque o salafrário paga alegremente o custo de andar com as costas quentes.

O povo na opinião dos devedores não merece outra coisa que não seja pagar os custos do crédito mal emprestado, opinião escorada na vulgata dos banqueiros, seguida religiosamente pelo poder político apesar da vozearia ululante de deputados duas faces como Juno, uma a face do protesto, outra a face dos arranjos partidários.

Esporádicas gotas vão-nos revelando as tropelias do risonho Berardo, do cara-de-pau do antigo dono da SIVA, do Fino antigo produtor do excelente vinho Tapada do Chaves e, ao que dizem de Luís Filipe Vieira agora aspergido com António Costa acolitado pelo delfim Fernando Medina.

No Ribatejo costumava-se dizer: se deveres 10 a um banco tens o problema de pagar até ao último cêntimo, se a dívida for de 1. 000.000 quem passa a ter o problema de receber o emprestado é o Banco. Vários gerentes bancários foram despedidos ou transferidos por (vaidosos) excederam os limites de crédito, no entanto, os castigados não passavam de peixes de arrasto, os figurões das dezenas e centenas de milhões eram e são peixes de águas profundas, por assim ser obtêm o benefício de leis sopradas por eles ou não fossem émulos de macacos de rabo pelado e macacas originais, da moda e dos bailes discretos.

Há muitos anos uma senhora surgiu no Teatro São Carlos envergando um casaco de vison fora de época provocando sussurros e comentários depreciativos levando um financeiro a perguntar a outro quem seria a espaventosa mulher. A resposta não tardou: olha pergunta ao Manuel Espírito Santo, ele é que indicou o marido a Salazar! O indicado foi ministro vários anos protegendo os interesses da família ora desvalida.

A manutenção do encobrimento dos caloteiros envergonha-nos. Para quem a possui.

Armando Fernandes

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