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A propósito da mobilidade urbana: saber não nos torna inteligentes!

Em Opinião

Hoje, 22 de setembro, foi o Dia Mundial sem Carros, o último dia da Semana Europeia da Mobilidade. Normalmente estes dias são marcados em Santarém por ações simbólicas, de poderes políticos, nas quais se pretende sensibilizar ou fingir que se está a fazer alguma coisa pelo tema. Mesmo que seja só fingir já é, no meu entender, positivo. Este ano nem isso, mas com a pandemia até se compreende!

O problema recoloca-se todos os anos, todos os anos se perdem oportunidades. Digo eu…

Perdem-se oportunidades quando se executa uma obra sem pensar nos mais fracos, nos mais débeis, ou tão-só numa melhor mobilidade urbana como foi o caso da Av. Comandante José Carvalho que liga Vale de Estacas à estação da CP de santarém. Nem sequer uma adaptação de um passeio a ciclovia??!!

Perdem-se oportunidades quando se planeia uma remodelação da Av. D. Afonso Henriques em total contradição com as regras aconselhadas, colocando-a “tipo via rápida”, potenciando velocidades elevadas, junto a escolas com centenas de jovens e crianças.

Não me quero arvorar em especialista de planeamento urbano, sou apenas um eletricista; mas sou também um ser pensante que valoriza a partilha solidária de saberes e a aprendizagem daquilo que não sabe. Já o extraordinário cientista Carl Sagan dizia:

“Saber muito não nos torna inteligentes. A inteligência traduz-se na forma que você recolhe, julga, maneja e, sobretudo, onde e como aplica esta informação.”

Já há onze meses escrevi aqui no Mais Ribatejo o artigo “Atropelamentos em passadeiras, há medidas a tomar!” Depois disso, nada conheço de novo. Foi colocado piso anti-derrapante perto de alguma passadeira? Foram feitas pinturas sinalizadoras de aproximação a passadeiras? Foram feitas melhorias para a circulação e acesso de pessoas em cadeiras de rodas? Porquê tanta passividade [já nem quero usar o nome incompetência] do executivo camarário que leva a acontecer isto?

Como podem ler [clicando aqui] há alertas sucessivos da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta ou da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta ou da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados para o problema da mobilidade e da segurança de peões e ciclistas.

É preciso corrigir a abordagem primária que consiste “disparar” a pergunta: quem foi o culpado?

A abordagem necessária passa por perguntar: como podemos prevenir? Como podemos tentar evitar conflitos de circulação pessoas-viaturas? Como planear? Como executar?

Por isso gosto de consultar os Manuais sobre Planeamento das Acessibilidades e da Gestão Viária como o de “Acalmia de Tráfego” ou sobre os “Peões”. Quem tiver curiosidade pode encontrar vasta informação aqui.

Carl Sagan tinha várias coisas em comum com Bernardo Santareno: a irreverência, o inconformismo, a ânsia de conhecer a vida toda como ela é… É também por isso que adoro esta frase de Sagan:

A História está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruíram conhecimentos de imensurável valor que, em verdade, pertenciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo”.

Vítor Franco

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