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Rio Tejo – Património Vivo

Em Opinião

O rio Tejo está cheio de história, tendo contribuído para a construção de uma cultura própria, a CULTURA DO TEJO: as gentes ribeirinhas, as aldeias, as vilas, as cidades, as embarcações, as marinhas de sal, os pescadores, os avieiros, os salineiros, os moleiros, os homens da lezíria, os campinos, os arrais, os carpinteiros navais, os valadores, os areeiros, os guarda rios, os portos, os estaleiros navais, os castelos, as igrejas, as pontes, os caminhos de sirga, os poetas, os escritores, os artistas, etc..

Estamos perante um vasto património, da pré-história até à atualidade, de um rio fortemente humanizado: arte rupestre tagana, testemunhos fenícios, romanos e árabes; castelos (Ródão, Belver, Amieira, Abrantes, Almourol, Santarém, Lisboa); igrejas e conventos; azenhas, moinhos, noras, máquinas agrícolas; paços reais e solares; embarcações tradicionais, estaleiros navais; pesca; diques e barragens; pontes metálicas; caminho de ferro; fábricas; portos; canal da Azambuja; fotografia, cinema, pintura (Silva Porto, Almada Negreiros. …); literatura: L. de Camões, Gaspar Frutuoso, Cervantes, F. Rodrigues Lobo, F. de Almeida, F. Pessoa, A. Redol, A. Garrett, A. O’ Neill …

A atual situação do Tejo deve-se a vários fatores: abandono das atividades tradicionais; impedimentos de continuar a desenvolver as práticas tradicionais que deram vida ao rio, durante séculos; a criação de dificuldades na navegabilidade; os assoreamentos; abandono da limpeza das margens dos rios e valas da bacia hidrográfica do Tejo; a poluição das águas; a autorização para a execução de intervenções que reduziram os recursos do rio, tais como, barragens sem eclusas, a Ponte das Lezírias (Carregado) sem respeitar a altura dos mastros das embarcações à vela; a apanha ilegal das enguias-bebés (meixão); a burocracia existente para a utilização de atividades tradicionais, nomeadamente a navegabilidade das embarcações tradicionais.

A intervenção no rio Tejo exige a participação de instituições públicas e privadas: Autarquias, Estabelecimentos de ensino: Universidades, Empresas, Associações, Museus e outros organismos do património cultural, Órgãos de comunicação social, CCDR’s, Ministérios, Institutos…

A construção de um MUNDO MELHOR será assim o dever de todos nós e tal só será possível através do respeito e da utilização racional do PATRIMÓNIO NATURAL, que não nos pertence SÓ a nós, mas a TODAS as gerações de Homens.” (J. de A. Fernandes)

O turista não quer só sol e praia; procura o TEJaO VIVO.

António Maia Nabais

Museólogo e historiador

(Comunicação apresentada nas Jornadas Europeias do Património, na Ribeira de Santarém, dia 26 de setembro de 2020)

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