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O encardir de Portugal

Em Opinião

A Pátria Portuguesa está encardida. Desde as Forças Armadas à Justiça passando pelos políticos (sobretudo por eles), o futebol, a banca, os concursos públicos, os episódios grotescos, sórdidos, salafrários sucedem-se sendo público e notório a encardida situação sem paralelo desde a época miguelista do famigerado Teles Jordão e o sinistro sanguinário corregedor de Beja.

Antes da eclosão das máquinas de lavar existia a profissão de lavadeiras, normalmente, de braços possantes e de línguas viperinas que enquanto zurziam as nódoas existentes na roupa suja lastravam as causas dessas nódoas encardidas, culminando numa monumental barrela até a roupa corar e as porcarias serem comentadas na praça pública.

Agora, a rapidez das máquinas a par das tecnologias de ponta permitem sabermos (quando os emporcalhados cometem deslizes ao arrepio das instruções para se conseguirem retirar as nódoas num ápice e discretamente) a origem da caca colocada nas ventoinhas televisivas impregnando o ambiente nacional de odores de decomposição da sociedade apesar das toneladas de perfumes da propaganda aspergidos e polvilhados por essas mesmas ventoinhas a fim de cerzirem os rasgões de honorabilidade nas indumentárias dos actores desta Ópera bufa que as ventosidades expressas em negociatas de muitos milhões são água de rosas para os amassadores de fortunas a provarem que os outrora temidos salteadores do pinhal de Azambuja não passavam de meninos de coro ingénuos e ridículos aprendizes das ciências da ladroagem.

Como desencardir Portugal? Tendo em conta o grau de enodoamento, tendo em conta a situação económica, tendo em conta o vírus da desvergonha, vão ser necessárias, milhares de toneladas de detergente para a Pátria se apresentar de cara lavada, roupa de bolsos vazios, bem passada e melhor engomada. E, nunca esquecer o velho provérbio no melhor pano cai a nódoa.

Armando Fernandes

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