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Património industrial e educação em debate na Biblioteca de Rio Maior

Em Região

Dezenas de cidadãos participaram na palestra sobre “Património Industrial e a Educação. Experiências na Formação para a Ciência, o Património e a Cidadania”, no passado dia 26 de setembro, na Biblioteca Municipal Alexandre Laureano Santos, em Rio Maior.

A iniciativa foi organizada pelo Clube UNESCO para o Património Cultural, dinamizado pela EICEL1920, Associação para a Defesa do Património, no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2020, e o debate foi aberto por uma conferência de. Leonor Medeiros, presidente da direcção da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (APAI).

A conferencista reflectiu sobre as grandes perdas patrimoniais que têm resultado da ausência de um “esforço de valorização do património industrial”. Tal deve-se, em parte, considera, ao facto de “as marcas da indústria que sobrevivem até hoje serem muitas vezes vistas como sujas, como degradadas, como injustas, como perigosas”. Daí que, “em algumas cidades”, este património acabe por ser tratado “como algo negativo e pesado, que deve ser rapidamente alterado ou eliminado”.

Leonor Medeiros fez questão de esclarecer que a arqueologia industrial “não é só o estudo da fábrica”, apesar de este ser o “sítio marcante da revolução industrial, a sua nova estrutura”.

A revolução industrial trouxe grandes transformações como a concentração de pessoas nas cidades, que implicou alterações nos modos de habitação e a criação de infraestruturas como escolas e centros de saúde, novos modos de deslocação e mudanças sociais, como, por exemplo, na relação com os filhos ou a necessidade de construção de espaços lúdicos, entre outras.

A dirigente da APAI defendeu que o estudo de todas estas vertentes é importante “para percebermos de onde vimos”. Porque “já não somos a sociedade industrial” e porque as “alterações de finais do século XVIII, inícios do século XIX são ainda em grande medida desconhecidas”.

A especialista em arqueologia industrial dedicou também a sua atenção à vertente educativa e à necessidade de “ensinar a apreciar estes sítios” indo “para além das superfícies dos edifícios” e olhando “para as histórias do dia-a-dia”.  Em foco esteve ainda a necessidade de classificar este tipo de património “para o proteger”. De acordo com Leonor Medeiros “é precisa uma estratégia de preservação proactiva e não meramente reactiva (perante a ameaça, salvar algo)”, sendo que a classificação do património industrial no país é “ainda residual’.

Em resposta a esta questão, António Moreira, vice-presidente da Direcção da EICEL1920, lembrou a existência de uma proposta de classificação para a Mina do Espadanal que a associação “gostaria de ver vertida em proposta de lei” depois da resolução aprovada no final da legislatura passada.

No final do evento realizou-se uma cerimónia de entrega de publicações da APAI que integrarão a biblioteca do futuro Museu Mineiro de Rio Maior.

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