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A internet e os livros, uma concorrência desleal?

Em Opinião

Quando vou às escolas apresentar os meus livros, os professores lamentam a dificuldade em motivar os jovens para a leitura. Com os apelos da Internet e das redes sociais, os jovens têm cada vez mais dificuldade em conseguir ler um livro. Sentem falta das imagens em movimento e de toda aquela parafernália de imagens a desafiá-los para tudo e mais alguma coisa. Depois da Internet e das redes sociais, as páginas quietas de um livro poderão ser um tédio. A mancha de texto com tantas palavras juntas serão tão apetecíveis para estes jovens como as pinturas rupestres para nós, com todo o respeito que estas nos merecem.

Perante esta concorrência, o escritor tem de ser ainda mais criativo. Mas como, se já nada nos surpreende?

No online já tudo foi visto. Desapareceu o encanto pela surpresa, a adrenalina do entusiasmo, o deslumbramento pela novidade. Perdeu-se aquilo a que eu chamo “o saber esperar para depois ter”. A palavra de ordem é ter, ter, ter… no imediato. É a recompensa imediata.

Poderá ser um vício, sim. Estamos a falar de um vício quando o cérebro já não consegue desligar e pede mais, em busca da tal recompensa imediata, como um like ou um emoji.

Compete aos pais tentar quebrar este ciclo. Sei que é difícil mas é preciso aprender a selecionar e a desligar. Nem que seja por uma hora e resistir aos apelos do Tik Tok, do Facebook, do Instagram, do WhatsApp do Youtube ou dos Blogues.

Volto ao início para falar da dificuldade em motivar os jovens para ler um livro. Um livro é um ser vivo, a cada leitura consegue surpreender-nos com novas descobertas, novas ideias, novas abordagens. Mas para quem faz parte da “geração Net” um livro é uma coisa muito parada.

Agora, imaginem o sofrimento de quem escreve? O que escrever para lhes captar a atenção? Como conseguirá o escritor competir com a recompensa imediata da Internet e das redes sociais? Coloca lá os seus e-books, é verdade, mas a escrita tem de mudar. Cada vez mais, temos de ser super criativos numa época em que já tudo foi dito e mostrado.

James McSill, um dos consultores literários mais bem-sucedidos e experientes do mundo, afirma que na Web temos de estar a surpreender o leitor a cada 150 palavras. Dar-lhe um choque elétrico de palavras para que ele não ceda aos apelos que lhe surgem de todo o lado. Se fechar um livro é fácil, dispersar-se na Internet é quase uma certeza.

Desliguem-se por um bocadinho e pratiquem a leitura sem apelos, um prazer a saborear.

A leitura tal como a escrita é uma terapia. Pratiquem a leitura como se fossem ao ginásio ou a uma sessão de yoga.

Boas leituras!

Ana Simão

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