fbpx

Joacine Katar Moreira é Donald Trump

Em Opinião

Ao contrário da crença disseminada, Nero, esse infame imperador de Roma, não ordenou que a  grandiosa Vetusta Urbe fosse incinerada, nem se entreteve a contemplar a voracidade derruidora das chamas que consumiam a cidade, como retratado no imorredouro Quo Vadis, enquanto tocava uma melodiosa lira.

            Há muito que os historiadores concluíram que essa versão do que terá acontecido não é mais do que o resultado de uma campanha difamatória que emergiu depois deste senhor absoluto do Império Romano, com o objectivo de ampliar o seu palácio – e aproveitando-se das circunstâncias favoráveis –, ter comprado alguns dos terrenos ardidos por um preço considerado abjecto e imoral.

            Apesar disto, não deixa de ser verdade que Nero cometeu actos que, aos nossos olhos contemporâneos, devem ser qualificados de hediondos, pelo que a sua categorização como um dos vilões da Antiguidade não é completamente desmerecida.

            Ora, trouxe esta referência para o meu artigo da semana, porque sei que os rumores nem sempre correspondem à realidade, mas, se repetidos continuamente, ganham uma aura de veracidade difícil de destruir, podendo mesmo perdurar por milénios.

            Assim, quando reparei numa partilha acelerada de um escrito, atribuído a Joacine Katar Moreira, sobre o elitismo inerente ao feminismo branco, cogitei que se trataria de mais um caso de “fake news” típico das redes sociais.

            Aproveito para citar:

            “As feministas brancas nunca me representaram. Não por serem brancas mas porque o feminismo branco é intrinsecamente elitista e racista. As mulheres (e homens) brancas também oprimem e apenas questionam partes do sistema do qual são parte importante. A parte que lhes toca.”

            Não me julguem desinformado ao ponto de desconhecer o timbre dos dizeres desta deputada, no entanto, a afirmação pareceu-me tão absurdamente requentada a ódio que, antes de me dedicar à sua repreensão, quis assegurar-me de que não estaria a medrar no erro e a comentar um conteúdo falso.

            Averiguei e compreendi que a fonte de tamanha virulência era, efectivamente, Joacine Katar Moreira, bem como me apercebi de que o trecho citado concernia a uma mera porção de um conjunto de mensagens “tuiteiras” focadas nesse tema.

            No passado, neste jornal, opinei acerca de uma estúpida petição pública que exigia à Assembleia da República que a parlamentar luso-guineense fosse impedida de tomar posse do  mandato, porquanto, nas celebrações da sua eleição, um dos seus apoiantes empunhava uma bandeira da Guiné-Bissau.

            Defendi Joacine e censurei o teor da aludida petição que, em bom rigor, se traduzia num insulto manifesto à inteligência humana e num uso abusivo de um direito fundamental que o Estado de Direito nos garante.

            Por conseguinte, e como se entende, nada de pessoal me move contra esta representante do Povo português – e, sim, é uma das representantes do Povo português –; todavia, após leitura destes textos, vejo-me na obrigação de os cotejar com o que a deputada vem expressando e fazendo no espaço público, para concluir que há qualquer coisa de gravemente patológico no seu comportamento.

            Quando alguém discorda de Joacine ou não age como Joacine quer, esse alguém, para Joacine, tem de ser racista ou, no mínimo, um idiota útil que colabora na manutenção de um statu quo estruturalmente discriminatório.  Por outros vocábulos, esta senhora – que se senta no principal hemiciclo do País, local que se pretende digno e solene – é uma bebé chorona, órfã de partido, com condutas pueris equiparáveis à inacreditável imaturidade de Donald Trump.

            Atente-se que eu não sou daqueles que aceita, acriticamente, tudo aquilo que alguns sectores  do movimento feminista nos atira à cara. Existem feministas e feministas. Existem feministas que não procuram a desejável igualdade de oportunidades para homens e mulheres, almejando, sim, por uma supremacia castradora do que é masculino. Serão a maioria? Não creio!

            Contudo, no pensamento de Joacine, a identidade e o papel social de uma pessoa determinam-se, essencialmente, pela cor da pele, pouco ou nada mais contando, sendo que os conflitos comunitários apenas se reconduzem à refrega entre raças, ou melhor, à opressão da raça branca vs a emancipação da raça negra.

            Pois bem, e como já mencionei neste fórum, uma mundividência que perspectiva a integralidade dos choques civis e humanos como emanações de racismo é, obviamente, míope e contrária ao justo diagnóstico dos problemas, não autorizando a escolha das medidas correctas para os resolver.

            Desta feita, foram as feministas a levar bordoadas… Quem se seguirá?

            Termino a presente redacção, transcrevendo duas definições de racismo (fonte, dicionário Priberam):

                    “1.Teoria  que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país ou região (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.

            2. Atitude ou comportamento sistematicamente hostil, discriminatório ou opressivo em relação a uma pessoa ou a um grupo de pessoas com base na sua origem étnica ou racial, em particular que pertencem a uma minoria ou a uma comunidade marginalizada.”             Será negável que a segunda explicação assenta que nem uma luva nos comportamentos de Joacine Katar Moreira? Também não creio!

João Salvador Fernandes

Leave a Reply

Recentes de Opinião

Cemitérios

A milenar visita de saudade aos parentes falecidos, no ano em curso,…

Ir para Início
%d bloggers like this: