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Vamos continuar a ver passar os comboios?!

Em Opinião

Era previsto continuarmos a falar sobre a Assembleia Municipal do passado dia 28, que teve continuação nesta 3ª-feira. No entanto, voltou-se a discutir, e bem, o eventual e muito esperado futuro novo traçado da linha do Norte, o que me faz ter de recordar o que aqui (e não só aqui) afirmei em novembro do ano passado, já quase há um ano portanto.

Disse eu na altura:

Em janeiro de 2019 o Governo deu a conhecer o Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que se refere aos grandes investimentos estratégicos no país a concretizar no período entre 2020 e 2030.

Para a elaboração deste plano pediu a colaboração dos municípios e em Santarém a Câmara Municipal quis, e muito bem, recolher os contributos das diferentes forças políticas com assento na Assembleia Municipal que, entre muitas outras propostas na generalidade não acolhidas pelo Governo, propuseram o desvio da linha do Norte, que foi contemplado no referido PNI 2030.

Já em novembro de 2019, o presidente Ricardo Gonçalves afirmou que a Infraestruturas de Portugal diz que o corredor definido para o novo traçado em 2008 não pode ser incluído na planta de condicionantes do novo Plano Diretor Municipal (PDM). A ser assim, a autarquia poderá e deverá aprovar construções na zona que depois poderão ter de ser demolidas, se a obra avançar…

Será que se trata só de uma injustificável falta de comunicação entre organismos estatais?! Ou estão a prever um adiamento da obra que ficará lá para as calendas gregas, como foi decidido em troços de linhas ferroviárias noutros locais?! Ou a coisa será ainda bem mais grave para nós e isto quererá dizer que há movimentações a serem bem sucedidas para que a alteração do traçado seja mais radical, seguindo mais a direito no eixo norte-sul e beneficiando Fátima e Leiria e que Santarém venha a ficar completamente afastada sequer das proximidades?!

A alteração do traçado da linha do Norte, deixando de passar junto a Alfange e à Ribeira é essencial para Santarém, primeiro pelo risco de derrocada das encostas que a passagem dos comboios acarreta e depois pela barreira que a linha impõe ao uso do Tejo pelos scalabitanos, certamente em grande parte bem responsável por continuarmos de costas voltadas para este grande rio que passa mesmo aqui aos nossos pés. Mas o afastamento da linha do nosso concelho, significaria ainda muito mais o adormecimento de Santarém, já agora muito pouco acordada…

(…) todos temos de nos interessar por esta questão, pela concretização do desvio da linha, mas de forma a este não ser acompanhado de uma mudança de traçado que deixe Santarém fora do mapa.

Que não aconteça acordarmos um dia e tudo já estar decidido e em vias de concretização! Lembram-se do que aconteceu com Escola Prática de Cavalaria?”

Não é por isso novidade que existe este real perigo de a alteração da linha do Norte ser um eventual presente envenenado para Santarém. É que se já na altura em que escrevi o que lhes acabei de ler era urgente que a nossa Câmara Municipal e não só tratasse de influenciar centralmente para que isso assim não venha a acontecer, é agora ainda mais urgente fazer esse trabalho, já que parece estarem a delinear-se essas opções para os próximos largos anos.

Não vale por isso a pena apresentar agora este perigo como a “descoberta da pólvora”. Que se faça é alguma coisa para o evitar e que todos, cada um dentro das suas possibilidades, deem o seu contributo!

E tem-se feito alguma coisa nesse sentido por Santarém?! Não, ou então devo andar muito distraído porque não dei por nada…

Mas também o que vamos esperar pelo menos da parte de uma governação municipal completamente amorfa e que vive de aparências que permitam ganhar eleições?!

Francisco Mendes

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